A Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) lançou o “Atlas das Comunidades Quilombolas do Semiárido Mineiro”, obra que reúne mapas, análises territoriais e entrevistas sobre comunidades tradicionais da região Norte de Minas e do semiárido do estado.
Produzido pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Regionais e Agrários (NEPRA), ligado ao Departamento de Geociências e ao Programa de Pós-Graduação em Geografia da universidade, o material foi apresentado nos formatos impresso e digital durante evento realizado no campus-sede da instituição, em Montes Claros.
A publicação é resultado de um trabalho coletivo desenvolvido entre 2024 e 2025 e é considerada um dos maiores levantamentos já realizados sobre os territórios quilombolas do Semiárido Mineiro.
Com 285 páginas, o atlas está dividido em três partes e reúne 124 mapas, 18 capítulos temáticos e entrevistas realizadas em comunidades quilombolas da região. O conteúdo aborda questões ligadas ao território, identidade, organização social, conflitos fundiários, cultura e modos de vida das populações tradicionais.
Segundo os organizadores, o objetivo da obra é ampliar a visibilidade das comunidades quilombolas e fortalecer o reconhecimento dos territórios tradicionais existentes no semiárido de Minas Gerais.
O estudo destaca que o Semiárido Mineiro abrange 217 municípios e concentra milhares de territórios quilombolas certificados pela Fundação Palmares, além de outras comunidades que ainda estão em processo de reconhecimento oficial.
Além do mapeamento cartográfico, o atlas também reúne análises produzidas por pesquisadores, estudantes, lideranças quilombolas e integrantes de movimentos sociais, criando um panorama amplo sobre a realidade dessas comunidades no estado.
A obra ainda traz entrevistas com moradores e representantes quilombolas, relatando experiências relacionadas à preservação cultural, resistência territorial e desafios enfrentados pelas comunidades.
Para os pesquisadores envolvidos, o material funciona não apenas como instrumento acadêmico, mas também como ferramenta de documentação histórica, reconhecimento social e fortalecimento das políticas voltadas às populações quilombolas do Semiárido Mineiro. O livro foi publicado pela Editora Unimontes e também está disponível em formato e-book.