Aldo Rebelo se reúne com lideranças do agro em Montes Claros e defende reação institucional contra entraves ambientais

Foto: Andrea Fróes

Em um encontro marcado por críticas à burocracia e ao rigor excessivo dos órgãos ambientais, lideranças do agronegócio do Norte de Minas receberam o ex-ministro Aldo Rebelo, na noite deste domingo (29), para um diálogo sobre os principais obstáculos enfrentados pelo setor. A reunião, realizada em Montes Claros, contou com a presença de representantes da Sociedade Rural, Abanorte, Aspronorte, ACGC, Sicoob Credinor, Sindicato dos Produtores Rurais, entre outras entidades regionais.

Na pauta, destacaram-se temas como a morosidade nos processos de licenciamento ambiental, a falta de infraestrutura hídrica, a insegurança jurídica e as dificuldades de acesso ao crédito. Também foram abordadas as autuações e embargos que, segundo os participantes, têm prejudicado pequenos e médios produtores da região.

Flávio Oliveira, presidente da Sociedade Rural de Montes Claros e do Comitê da Bacia Hidrográfica do Verde Grande, chamou atenção para a necessidade urgente da construção da barragem de Congonhas, obra considerada estratégica para garantir segurança hídrica e impulsionar a produção agropecuária.

Representantes da Aspronorte, como Astério Itabayana Neto e Rodolpho Rebelo, criticaram a lentidão da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) em processos de regularização fundiária e ambiental. A situação, segundo eles, gera insegurança jurídica e trava investimentos no campo. Alexandre Rocha também pontuou os desafios enfrentados por produtores da região da Mata Atlântica, onde legislações ambientais sobrepostas inviabilizam a expansão agrícola.

A burocracia nos licenciamentos para confinamentos bovinos foi outro ponto de preocupação. José Moacyr Basso, da Associação dos Criadores de Gado de Corte (ACGC), ressaltou que a lentidão nos trâmites tem afetado a competitividade da pecuária local.

Durante o encontro, Aldo Rebelo propôs que as entidades elaborem um dossiê técnico ainda neste ano, reunindo dados econômicos e propostas legislativas que possam subsidiar uma agenda conjunta a ser levada à Assembleia Legislativa de Minas e ao Congresso Nacional. “Multas, embargos e autuações têm sido aplicados com severidade, principalmente sobre os pequenos e médios produtores. Falta equilíbrio. Isso precisa ser enfrentado com união e firmeza institucional”, afirmou o ex-ministro.

Com passagem pelos ministérios da Defesa, Ciência e Tecnologia, Esporte e Relações Institucionais, além de ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rebelo defendeu uma articulação política ampla em defesa do setor. Seu discurso, de tom nacionalista e crítico à atuação de ONGs e órgãos ambientais, recebeu apoio dos participantes.

“A pressão que os produtores estão sofrendo precisa ser enfrentada de forma organizada e política. Prejudicar a atividade rural é prejudicar também a economia dos municípios, a arrecadação e o emprego”, declarou.

A reunião contou ainda com a presença de diretores da Credinor, como Dario Colares (presidente), Alexandre Viana (administrativo) e Érique Morais de Barros (diretor de Riscos), que reforçaram o compromisso das cooperativas de crédito com o fortalecimento do setor produtivo.

Ao final do encontro, o sentimento era de mobilização e fortalecimento institucional. “A presença de Aldo aqui mostra que o agro do Norte de Minas não está sozinho. Temos história e vamos fazer valer nossa voz”, destacou Flávio Oliveira. Para José Moacyr Basso, “o Norte de Minas não quer favores — quer condições de competir com dignidade, produzir e crescer com segurança e respeito.”

Diovane Barbosa

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