Em uma decisão histórica para o Brasil e, especialmente, para Minas Gerais, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu foi reconhecido como Patrimônio Mundial Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O anúncio foi feito nesta segunda-feira (14), durante a 46ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada na Índia.
Localizado no Norte de Minas Gerais, entre os municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões, o parque é considerado um dos sítios naturais mais impressionantes do Brasil. O título internacional reconhece não apenas a riqueza geológica e ecológica da área, mas também seu imenso valor arqueológico e cultural.
Santuário natural e arqueológico
Com mais de 56 mil hectares de área preservada, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu abriga uma das maiores concentrações de cavernas calcárias do país. Entre as formações mais impressionantes está a Gruta do Janelão, com salões gigantescos que chegam a mais de 100 metros de altura, onde a luz natural atravessa fendas e revela as texturas de estalactites e estalagmites milenares.
Além das formações geológicas, o parque é um verdadeiro museu a céu aberto. São centenas de sítios arqueológicos com pinturas rupestres, gravuras e registros que indicam a presença humana na região há pelo menos 12 mil anos. Esses vestígios, espalhados por paredões de arenito e cavernas, fazem do Peruaçu uma das áreas mais importantes para os estudos sobre os povos originários do território brasileiro.
Reconhecimento e proteção
O processo de candidatura foi liderado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com participação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), além de universidades, pesquisadores e comunidades tradicionais da região. O reconhecimento da Unesco representa uma conquista coletiva de décadas de luta pela conservação do patrimônio natural e cultural do semiárido mineiro.
De acordo com a avaliação do Comitê, o Peruaçu apresenta “um valor universal excepcional”, por reunir características raras em escala global: biodiversidade típica do Cerrado, formações geológicas monumentais e evidências arqueológicas de alto grau de preservação e relevância histórica.
Impacto regional e perspectivas
O novo status deve impulsionar o ecoturismo e o turismo cultural na região, gerando oportunidades econômicas para comunidades locais, especialmente as populações tradicionais e indígenas que vivem no entorno do parque, como os Xakriabá.
Para especialistas, a inclusão na lista de Patrimônios da Humanidade também fortalece a necessidade de investimentos públicos e privados na infraestrutura de visitação, pesquisa científica e proteção ambiental, ao mesmo tempo em que exige responsabilidade e gestão sustentável.
“Este título é um selo de excelência, mas também um compromisso com as futuras gerações. O Peruaçu é uma joia brasileira que agora brilha para o mundo, e cabe a todos nós preservá-la com sabedoria e respeito”, destacou um dos coordenadores do dossiê de candidatura.
Sobre o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu
Criado oficialmente em 1999, o parque integra o Corredor Ecológico do Vale do Peruaçu e abriga espécies ameaçadas, como a onça-pintada, o tamanduá-bandeira e o tatu-canastra. Com uma flora adaptada ao clima semiárido, a região também é referência na transição entre o Cerrado e a Caatinga.
Nos últimos anos, o parque passou por melhorias na estrutura de trilhas, sinalização e centros de visitantes, tornando-se um dos destinos emergentes do turismo ecológico no Brasil. Com o reconhecimento da Unesco, espera-se uma ampliação das visitas guiadas, da pesquisa científica e do envolvimento comunitário nas ações de preservação.
Com o título de Patrimônio Mundial Natural, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu entra definitivamente no mapa dos grandes patrimônios da humanidade — um símbolo da riqueza natural, cultural e histórica do Brasil profundo.