Durante uma fiscalização realizada nesse sábado (26) na zona rural de Ninheira, no Norte de Minas, a Polícia Militar encontrou armas de fogo artesanais e constatou que trabalhadores atuavam em condições degradantes em uma carvoaria. A operação foi desencadeada após denúncia encaminhada pelo Ministério Público do Trabalho, com base em um inquérito civil instaurado em 2022.
A equipe policial seguiu até uma propriedade na região de Baixa Nova, já conhecida por autuações anteriores relacionadas a crimes ambientais. No local, foram encontrados alojamentos improvisados, feitos com pedaços de madeira, telhas e lonas plásticas. O chão de terra batida e os beliches montados com tábuas e pregos, cobertos por pedaços de espuma, revelavam a precariedade. Comida era armazenada no mesmo espaço onde os trabalhadores dormiam, e o preparo das refeições era feito em um fogão de lenha rústico.
Durante a vistoria, os militares apreenderam duas espingardas artesanais, dois cartuchos intactos e materiais utilizados na confecção de munições, como pólvora, chumbo e espoletas. As armas estavam guardadas em uma das estruturas da carvoaria e, segundo relatos de uma testemunha, pertenciam a um morador conhecido na região, cuja identidade não foi divulgada.
O mesmo trabalhador informou que recebia R$ 40 por cada forno de carvão produzido. Ele afirmou que os funcionários precisavam levar sua própria comida, já que a fazenda não fornecia alimentação. A água potável era buscada em uma propriedade vizinha, e o banho era tomado ao ar livre, com o uso de canecas e água armazenada em tambores plásticos.
Ele também mencionou que outros trabalhadores atuavam na carvoaria de forma rotativa, sendo identificados apenas por apelidos. Apesar de afirmar que podia sair do local quando quisesse, reconheceu que as condições oferecidas eram extremamente precárias e sem qualquer dignidade.
As armas e os demais materiais apreendidos foram levados para a Delegacia da Polícia Civil em São João do Paraíso. Já os crimes ambientais serão investigados separadamente pela Polícia Militar de Meio Ambiente. O caso segue sob apuração.