Ibiracatu-MG: uma história de fé, luta e tradição no Norte de Minas

Foto: unisdr.org / Divulgação

A cidade de Ibiracatu, localizada no Norte de Minas Gerais, carrega uma trajetória marcada pela força da agropecuária, pela fé popular e pelo espírito de luta de seus moradores. Apesar de ter sido oficialmente emancipada em 1995, a história da comunidade remonta a décadas anteriores, com raízes fincadas no campo e na religiosidade.

Das gameleiras ao nome indígena

Originalmente chamada de Gameleira, em referência à abundância da árvore de mesmo nome na região, a localidade recebeu o nome atual em 1925, por sugestão do padre Joaquim Gangana. O religioso, ao saber que já existia outra comunidade com o mesmo nome em Minas Gerais, propôs “Ibiracatu” — palavra de origem tupi que significa “árvore boa”.

Economia baseada na terra

Desde os tempos mais antigos, a economia da região se destacou pelo cultivo em terras férteis. Plantavam-se feijão, milho, arroz nos brejos, algodão, mamona, fumo, banana caturra, cana caiana (usada na produção de rapadura), além de amendoim, café, gergelim, fava e laranja.

Na pecuária, era forte a criação de porcos, cuja carne era aproveitada para produção de toucinho e, principalmente, da famosa linguiça artesanal de Ibiracatu — iguaria que até hoje é considerada uma das melhores da região e que inspirou a tradicional Festa da Linguiça, realizada no mês de agosto em conjunto com os festejos religiosos do Senhor Bom Jesus e de Santo Antônio de Pádua.

Da luta à emancipação

Durante muitos anos, Ibiracatu foi apenas um povoado ligado ao município de São João da Ponte, tornando-se distrito de Varzelândia em 1962. Assim como outras comunidades rurais da região, sofria com o descaso do poder público e a má distribuição de recursos, o que incentivou o surgimento de movimentos emancipacionistas no final da década de 1980.

A mobilização pela independência administrativa teve um momento decisivo em 26 de junho de 1994, com uma reunião na igreja local para criar a Comissão de Emancipação, presidida por José Fagundes Neto. No ano seguinte, em 22 de outubro de 1995, foi realizado um plebiscito para que a população decidisse sobre o futuro da localidade. Com ampla participação dos eleitores do distrito e comunidades vizinhas, a vontade popular prevaleceu.

Assim, em 21 de dezembro de 1995, foi oficialmente criado o município de Ibiracatu, que na época tinha uma população estimada em 5.039 habitantes, segundo o IBGE.

Desenvolvimento e fé

Em 2021, Ibiracatu já contava com cerca de 6.260 moradores, mantendo viva sua essência rural, o cultivo das tradições e a devoção religiosa. O calendário anual celebra com destaque as festividades de Santo Antônio de Pádua, em junho, e do Senhor Bom Jesus, em agosto, datas que mobilizam toda a cidade e atraem visitantes da região.

Os líderes que fizeram história

Ao longo de seus quase 30 anos de história como cidade, Ibiracatu teve os seguintes prefeitos:

  • José Fagundes Neto – primeiro prefeito eleito;

  • Orivaldo Alves de Oliveira – dois mandatos;

  • Joel Ferreira Lima – dois mandatos;

  • José Amador Mendes da Silva – prefeito interino por um ano;

  • Arlis Soares Coutinho – atual prefeito reeleito.

Com raízes firmes na terra e no coração de seu povo, Ibiracatu segue seu caminho de desenvolvimento, cultivando com orgulho a memória de seu passado e projetando um futuro de novas conquistas.

*Foto: unisdr.org / Divulgação

*Fonte: Silva, Tatielle Costa “A TERRA DOS MEUS SONHOS”: Padre José Silveira e a formação político-social de Ibiracatu (1960-1990) Montes Claros/MG,2017

 

Américo Borges

Américo Borges é jornalista formado pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (FUNORTE). Com ampla experiência em comunicação, já atuou em portais de notícias, rádio e também como assessor de imprensa em órgãos públicos. Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a informação de qualidade e a valorização do jornalismo regional.

Destaques