Eu escrevo também para compreender melhor a vida, tudo o que me cerca e até mesmo o que está longe de mim. O ato de dar forma aos pensamentos, ou aos sentimentos, por meio da escrita, excita minha mente e me torna um homem mais forte, mais compreensivo, mais generoso e com uma maior capacidade de entender o mundo — e assim poder servir às pessoas que me cercam.
Certa vez, ouvia uma música que dizia aquela frase tão repetida nos últimos tempos. Basta abrir o Instagram e fuçar dois ou três perfis que você encontrará esta frase estampada logo na capa: “Quem não vive para servir, não serve para viver.” Tornou-se um grande clichê, mas é real.
Eu — e você também — precisamos nos preocupar com quem nos cerca, com quem está próximo de nós. Mesmo que aquela pessoa me pareça um estranho, ela é um ser humano, exatamente como eu, e deve ser respeitada simplesmente por estar viva. A vida tem um valor imensurável!
Nasci em uma terça-feira, de madrugada, nesta mesma cidade: Montes Claros, no Norte do estado de Minas Gerais. Ali começou minha vida — e eu luto por ela. Sei o quanto vale viver e não permitirei que minha existência seja ceifada por um erro meu ou de quem quer que seja.
Você deve estar se perguntando por que estou falando desse jeito. Eu explico, meu caro leitor.
Pegue seu celular e abra o GPS. Ele te mostrará a localização exata de onde você está. A minha é a zona nordeste da cidade de Montes Claros. Cresci nessa parte da cidade. Se você não sabe onde fica, vou situar: região do aeroporto, Nova Prefeitura, Lagoa do Interlagos (alguns erroneamente chamam de Pampulha, mas não é esse o nome), sede do CIMAMS — foi ali que cresci.
Por aqui, já vi de tudo: gente nascer e gente morrer. Estudei numa escola que carrega o mesmo nome que eu: Américo. Nome dado em homenagem ao conhecido Américo Martins, que, pelo que sei, também teve uma história ligada ao jornalismo. E antes que você pergunte: não, ele não era meu parente. Mas fico feliz de carregar o mesmo nome. Aqui na região, há uma avenida com o nome dele: Avenida Américo Martins. Dá para perceber que foi um grande homem: dá nome a uma escola e a uma avenida.
Essa é uma terra de gente boa, gente feliz, batalhadora — assim como toda Montes Claros e todo o Norte de Minas Gerais. Eu me orgulho de ser daqui.
Sei que preciso compreender melhor tanto a vida quanto o lugar onde cresci. Independentemente de quem você seja, da sua crença ou qualquer outra coisa, meu leitor, acredito que você concorda comigo: a vida tem um valor que não se pode medir, e nós precisamos cuidar uns dos outros.
Se chegou até aqui no texto, talvez esteja se perguntando: “Por que ele está falando da região onde cresceu e de valores sobre a vida? O que uma coisa tem a ver com a outra?” Eu explico.
Viu a foto de capa da coluna, né? “TRECHO COM ALTO ÍNDICE DE ACIDENTES” — essa placa está justamente em uma avenida fundamental da região onde vivo. Já cansei de passar por ela. Acompanhei seu desenvolvimento desde quando ainda não havia sido duplicada — eu já estava aqui. Lembra que falei que vi gente nascer e morrer por aqui? Pois é, vi pessoas morrerem nessa avenida. Os acidentes são constantes.
Infelizmente, nos últimos tempos, o número de acidentes aumentou demais — não apenas aqui. Repare bem na temida BR-251. Como jornalista, já perdi a conta das mortes por acidente que noticiei ali. É uma estrada da morte. Por ali, a morte pede passagem. Triste, mas real.
Ah! Quase me esqueço de mencionar o nome da avenida: Avenida Governador Magalhães Pinto — ou seria Avenida da Morte?
Já presenciei pessoas estiradas no chão após acidentes, vi carros tombados, motocicletas destruídas, choro e tristeza.
Nessa região, temos uma bela ciclovia, muito utilizada por pessoas que fazem caminhada e corrida. Eu também costumo caminhar por ali sempre que posso. Aliás — minto — só caminho, porque correr eu não aguento (risos). Estou acima do peso. Atividade física é importante, não é, meu leitor? Mas isso é assunto para outro dia.
O fato é que, enquanto as pessoas caminham por ali, veículos passam em altíssima velocidade, sem nenhum pudor. Fico imaginando: “E se um deles perde o controle e nos atinge aqui?”
E algo parecido já aconteceu bem perto de mim. Eu caminhava nas proximidades da Nova Prefeitura, quando vi um Celta vermelho perder o controle e rodar na pista. Parou bem em frente a outro veículo. De dentro, saiu um jovem — jeito de moleque — de bermuda e chinelo de dedo: “Ô, dona, me ajuda aqui”, disse ele à moça que desceu do outro carro. Com ela, estava um homem, talvez seu marido, que observava tudo com uma expressão de réu.
A verdade é que o jovem foi um completo irresponsável. Parou apenas na frente de outro carro, mas poderia ter provocado uma tragédia. E se ele capota e atinge quem caminha na ciclovia? E se atinge em cheio o carro da moça? Poderia ter acontecido uma tragédia. Te conto isso para mostrar o perigo real que existe ali.
Outra vez, vi um acidente que me marcou profundamente. Eu estava de moto quando percebi o trânsito lento. Lá na frente, um cenário de tristeza: uma senhora caída no chão, com sangue ao lado. Já estava sem vida. Foi atropelada ao tentar atravessar a avenida. Aquilo me abalou demais.
Noutra ocasião, parei para ajudar um motociclista que havia capotado no mesmo lugar. Depois, tive de retornar a uma lanchonete para avisar aos amigos dele sobre o ocorrido. Felizmente, ele ficou bem.
Já testemunhei diversos acidentes nessa mesma região. É surreal!
Na famosa “Praça do Chinelão”, um rapaz morreu ao capotar o carro logo depois de deixar a namorada em casa. Um acidente terrível.
Poderia ficar aqui relatando inúmeros casos, mas vamos aos mais impactantes. Há cerca de um ano, uma carreta causou um engavetamento ao, supostamente, perder os freios, atingindo diversos veículos parados no semáforo. A coisa foi feia — mas, felizmente, não houve vítimas fatais. Na época, imaginei que as pessoas se conscientizariam do perigo ali. Gravei um vídeo e publiquei no Instagram, na esperança de que os motoristas dirigissem com mais cuidado. O tempo passou. E o que aconteceu?
Outro acidente. Mesmas circunstâncias, mas agora foi um caminhão. Desta vez, houve morte e feridos. Uma tristeza.
Recebi relatos de que o mesmo caminhão passava por ali frequentemente. Fico imaginando como isso poderia ter sido evitado se houvesse mais consciência e empatia.
Se quem dirige pensasse menos em si e mais no outro, muitas tragédias poderiam ser evitadas. Expresso aqui os meus sentimentos às famílias e aos amigos das vítimas.
Depois que tudo acontece, é comum vermos pessoas falando bobagens. Pseudo comunicadores vão às redes sociais xingar autoridades. Esse é um efeito colateral da internet: gente tola achando que tem a solução para tudo.
É óbvio que as autoridades têm sua parcela de responsabilidade. Mas eu e você também temos as nossas, não é, meu leitor?
Mais do que palavras, é preciso tomar consciência de nossas atitudes. Cuidar da forma como vivemos — e, neste caso, como dirigimos.
A vida não é uma brincadeira. Acelerar um carro de forma irresponsável, sem pensar nas consequências, é um erro grave. Como já disse: a vida tem um valor imensurável, e deve ser respeitada — tanto a minha quanto a sua. Ou você acredita que temos sete vidas, como um gato? Espero que não.
Uma mentalidade corrompida pode te levar à desgraça. Cuide da sua vida — e pense em quem está ao seu redor. Essas pessoas não podem sofrer as consequências da sua imprudência.
Se você chegou até aqui, acredito que entendeu a minha mensagem. O mundo é um lugar perigoso, não é? Mas eu e você podemos mudar nosso jeito de pensar e agir — e, assim, cuidar uns dos outros. Como diz um amigo meu: “Se o mundo tem problemas, eu vivo pra consertar.”
É isso, meu caro leitor: vamos cuidar uns dos outros — e assim viver melhor. Viver, hein? Não vá morrer nessa avenida. Já chega de tragédia!
Um abraço, gente boa. Até a próxima segunda-feira!