Montes Claros foi escolhida pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) para sediar, entre os dias 23 de setembro e 3 de outubro, um simulado de combate à febre aftosa. A cidade do Norte de Minas, que possui um dos maiores rebanhos do Estado, com 106,4 mil cabeças de gado de corte e leite, segundo relatório de 2023 do IMA, concentra por dez dias equipes de defesa agropecuária de 23 estados brasileiros e de países vizinhos ao Brasil.
O exercício, inédito em Minas Gerais, ocorre após o reconhecimento do Estado como área livre de febre aftosa sem vacinação pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, em 2024, e pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), em 2025. A doença viral não registra focos em Minas desde 1996.
A diretora-geral do IMA, Luísa Moreira Arantes de Castro, destacou que a ação simboliza um marco para o setor agropecuário mineiro. “É como se fosse um baile de formatura. Vamos simular o atendimento a um eventual foco de febre aftosa, demonstrando a força e a capacidade do sistema de defesa agropecuária de Minas Gerais. Assim, nossos acordos bilaterais de comércio permanecem vigentes e todos os países que comercializam conosco têm segurança no produto”, afirmou.
O secretário municipal de Agricultura de Montes Claros, Osmani Barbosa Neto, ressaltou a relevância da escolha do município. “Estamos falando de um simulado, uma estratégia preventiva. A febre aftosa não afeta nosso município há muitos anos, assim como o restante de Minas, mas é fundamental que os produtores saibam como agir em caso de um surto. Seria catastrófico para todos se isso ocorresse. Por isso, agradecemos ao IMA, ao Governo de Minas e ao prefeito Guilherme Guimarães, que disponibilizou toda a estrutura municipal para esta iniciativa. É uma oportunidade de mostrar ao mundo que estamos prontos para agir rapidamente, se necessário”, disse.
Para o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Almeida Pereira Fernandes, o simulado reforça a credibilidade da carne mineira e amplia a competitividade internacional. “A intenção é mostrar que Minas está preparada para aproveitar novas oportunidades de mercado, mesmo diante de desafios como tarifas e pressões ambientais. O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo e precisa manter a excelência sanitária do seu produto. A escolha de Montes Claros reflete a força da pecuária local, a tradição na produção bovina e a presença de frigoríficos habilitados para exportação. Queremos transformar Minas em modelo de sanidade e sustentabilidade”, declarou.
Com a iniciativa, Montes Claros reforça sua posição estratégica no setor pecuário e contribui para consolidar o status sanitário de Minas Gerais, ampliando a confiança internacional na carne brasileira.