No dia 4 de outubro é celebrado o Dia do Rio São Francisco, data escolhida em homenagem a São Francisco de Assis, protetor dos animais e da natureza, e que também dá nome a um dos mais importantes rios do Brasil.
O “Velho Chico” nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais, a cerca de 1.200 metros de altitude, e percorre aproximadamente 2.830 quilômetros até desaguar no Oceano Atlântico, entre Alagoas e Sergipe. Ao longo de seu curso, atravessa cinco estados, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, e corta diferentes biomas, como Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica, sendo considerado um rio da integração nacional, por ligar regiões distintas do país.
Importância para o Norte de Minas
No Norte de Minas Gerais, o Rio São Francisco é elemento vital para a economia, a cultura e o dia a dia da população.
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Pirapora é conhecida por sua tradição fluvial, marcada pelo transporte de cargas e passageiros que, por décadas, teve no rio sua principal via de circulação. O barco a vapor Benjamim Guimarães, construído em 1913 nos Estados Unidos e ainda em atividade, é um ícone do município e atrai turistas de todo o país, simbolizando a força histórica da navegação no Velho Chico.
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Buritizeiro, vizinha de Pirapora, tem sua economia fortemente ligada à agricultura irrigada. As águas do rio são fundamentais para plantações que abastecem a região e geram empregos, além de servirem de sustento para pescadores locais.
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Em Ibiaí, o São Francisco exerce papel estratégico no abastecimento das comunidades ribeirinhas e no fortalecimento da pesca artesanal, que ainda hoje representa renda e tradição cultural para muitas famílias.
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Já em São Romão, o rio é parte inseparável da identidade local. Além da importância econômica, é palco de festas religiosas, como procissões fluviais e celebrações populares, que reforçam o elo afetivo da comunidade com o Velho Chico.

Cultura, fé e desafios
O São Francisco não é apenas fonte de água e alimento. Ele também é inspiração para a música, a literatura e a fé popular. Chamado de “rio da integração nacional”, foi eternizado em canções, poemas e histórias que celebram sua grandiosidade e a vida em suas margens.
No entanto, o Velho Chico enfrenta grandes desafios: a redução de seu volume hídrico, a poluição causada pelo esgoto e pelos agrotóxicos, e o desmatamento de suas matas ciliares. Esses fatores ameaçam não apenas o equilíbrio ambiental, mas também a vida de milhões de pessoas que dependem de suas águas.
Um patrimônio a ser preservado
O Dia do Rio São Francisco é, portanto, mais do que uma data comemorativa: é um chamado à preservação de um patrimônio natural, cultural e histórico do Brasil. Garantir a vitalidade do Velho Chico significa proteger não só o meio ambiente, mas também a identidade de povos e cidades que cresceram às suas margens, como Pirapora, Buritizeiro, Ibiaí e São Romão, que encontram nele sustento, história e inspiração.
