Um possível esquema de corrupção envolvendo a Secretaria Municipal de Educação de Ubaí, no Norte de Minas, tem causado grande repercussão na cidade e na região. As denúncias, enviadas de forma anônima à Polícia Federal, apontam fortes indícios de pagamentos irregulares com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
Segundo informações obtidas, servidores da Educação teriam recebido valores referentes a extensões de carga horária sem que o trabalho correspondente fosse realizado. Parte desses pagamentos, de acordo com o conteúdo da denúncia, seria devolvida a terceiros supostamente ligados ao esquema, uma prática popularmente conhecida como “rachadinha”.
Os indícios indicam ainda que alguns dos servidores beneficiados ocupam dois cargos públicos, o que, segundo a legislação, impede o recebimento de adicionais de carga horária. De acordo com dados disponíveis no Portal da Transparência, apenas entre os profissionais da Educação, os valores suspeitos ultrapassariam meio milhão de reais por ano.
O caso que mais tem causado indignação na população é o de uma professora que, segundo a denúncia, ocupa simultaneamente um cargo como contratada em uma escola municipal de Ubaí e outro cargo público em Brasília de Minas, cidades separadas por cerca de 50 quilômetros de distância. Além disso, a servidora ainda teria sido contemplada com extensão de carga horária no município ubaiense.
Se confirmadas as informações, a professora estaria acumulando três vínculos públicos ao mesmo tempo, o que é expressamente proibido pela legislação brasileira, exceto em casos muito específicos previstos na Constituição. A situação levanta questionamentos sobre a fiscalização da gestão municipal e sobre como tais acúmulos passaram despercebidos pelos órgãos de controle.
A denúncia também aponta que o esquema teria ocorrido de forma sistemática entre os anos de 2022 e 2025, dentro da estrutura da Secretaria Municipal de Educação. Servidores teriam sido escolhidos para receber valores adicionais em folha, supostamente com o compromisso de devolver parte ou a totalidade dos recursos por meio de transferências bancárias ou pagamentos em espécie.
O caso ganhou notoriedade na cidade, que tem pouco mais de 12 mil habitantes, e gerou forte reação entre moradores, especialmente pela suspeita de desvio de verbas destinadas à educação pública. “É revoltante ver o dinheiro que deveria melhorar as escolas sendo usado dessa forma”, comentou um morador que preferiu não se identificar.
O conteúdo da denúncia, já em posse da Polícia Federal, inclui documentos, portarias e indícios de movimentações financeiras que, segundo o relato, comprovariam as irregularidades.
O espaço do Portal Gerais News permanece aberto para manifestação das autoridades municipais e dos citados na denúncia.