Um estudo do Banco do Nordeste (BNB) aponta que a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), proposta pelo Governo Federal, pode injetar cerca de R$ 590 milhões na economia da área mineira sob influência da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). A medida, prevista para entrar em vigor em 2026, amplia a isenção para quem recebe até R$ 5 mil por mês e aguarda votação no Senado.
Segundo o levantamento do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), vinculado ao BNB, cerca de 135,2 mil trabalhadores com renda dentro do novo limite de isenção seriam beneficiados em Minas Gerais, com uma economia anual estimada em R$ 4.356 por contribuinte.
A área mineira da Sudene abrange 249 municípios, distribuídos entre o Norte de Minas, parte do Noroeste e os vales do Jequitinhonha, Mucuri e Rio Doce.
Em todo o território de atuação do Banco do Nordeste — que inclui os nove estados do Nordeste e parte do Espírito Santo — o impacto econômico seria ainda maior. O estudo estima que 2,1 milhões de trabalhadores seriam contemplados, resultando em uma economia total de R$ 9,13 bilhões.
O presidente do BNB, Paulo Câmara, destacou que a proposta traz benefícios diretos para regiões com menor renda média, como o Semiárido. Segundo ele, a redução do imposto para essa faixa de trabalhadores representa alívio no orçamento familiar e fortalecimento do consumo local.
“Essa medida reduz o peso tributário sobre as famílias de menor renda e, ao mesmo tempo, estimula a economia regional ao gerar maior poder de compra e movimentar o mercado interno”, afirmou.
Já o economista-chefe do BNB, Rogério Sobreira, ressaltou que a ampliação da isenção do IR é uma das mudanças tributárias mais relevantes das últimas décadas. “Essa atualização na base de contribuintes tem impacto direto na equidade fiscal e no estímulo ao consumo. Somente na área de atuação do Banco do Nordeste, mais de 2 milhões de famílias terão uma economia mensal de aproximadamente R$ 360, valor que tende a ser reinvestido na própria economia local”, avaliou.