O centro e as principais praças de Montes Claros vêm sendo dominados por ambulantes que, segundo denúncias de comerciantes e moradores, passaram a controlar os espaços públicos como se fossem donos dos pontos. A disputa por áreas de venda tem gerado clima de tensão, com relatos de ameaças, agressões físicas e até a venda clandestina de locais para instalação de barracas removíveis.
De acordo com comerciantes formais que preferem não se identificar por medo de retaliação, os chamados “veteranos do comércio alternativo” estariam ditando regras e impedindo a entrada de novos vendedores no centro da cidade. Quem tenta montar uma banca ou iniciar uma atividade ambulante sem autorização do grupo é, segundo relatos, intimidado, expulso ou agredido.

“Eles definem quem pode e quem não pode vender. Falam que o ponto tem dono e que, se não respeitar, vai apanhar. Aqui virou terra sem lei”, afirma um comerciante que trabalha há anos na região central.
Há ainda denúncias de que alguns desses pontos estariam sendo vendidos ilegalmente, como se fossem propriedades particulares. A prática, segundo ambulantes que já atuaram no centro, movimentaria valores significativos, criando um esquema de “comércio paralelo” dentro do comércio alternativo da cidade.
Outro ponto que tem preocupado a população é a presença de ex-presidiários em muitas dessas bancas. Embora trabalhar seja direito de qualquer cidadão, comerciantes afirmam que alguns desses indivíduos estariam utilizando a força e a intimidação para dominar áreas estratégicas do centro.
“Não é questão de preconceito. O problema é que muitos deles usam o histórico criminal como forma de impor medo. A gente fica totalmente refém”, desabafa um lojista.
A situação tem provocado revolta entre comerciantes formais, que se sentem abandonados pelo poder público e afirmam estar sofrendo prejuízos com a desordem instalada.

Além de dificultar o fluxo de clientes, as bancas irregulares bloqueiam calçadas e acessos, piorando o trânsito de pedestres e elevando a sensação de insegurança no coração da cidade.
Moradores e trabalhadores cobram uma ação da Prefeitura e da fiscalização municipal, alegando que as praças e vias públicas precisam voltar a funcionar dentro da legalidade e com regras claras para todos.
Até o momento, não há confirmação oficial do Município sobre operações recentes de fiscalização ou medidas planejadas para conter o avanço da ilegalidade no comércio ambulante.