Centro comercial de Montes Claros amanhece com venezuelanos recém-chegados pedindo esmolas no semáforo

Um grupo de 41 venezuelanos, incluindo 27 crianças e quatro gestantes, que desembarcou recentemente na rodoviária de Montes Claros (MG), tem sido visto nas ruas do centro da cidade pedindo esmolas, segundo relatos de moradores e comerciantes locais.

O grupo, formado por sete famílias da etnia indígena Warao, chegou na madrugada de 15 de novembro em um ônibus vindo de Itabuna (BA), conforme confirmado pela Prefeitura de Montes Claros.

De acordo com a Guarda Civil Municipal, a chegada ocorreu por volta das 2h, quando o veículo descarregou pessoas e pertences na área frontal do terminal rodoviário.

A situação tem gerado preocupação em parte da população local. Segundo testemunhas, depois de deixarem a rodoviária, algumas dessas pessoas têm se deslocado para o centro comercial da cidade para solicitar ajuda em dinheiro ou alimentos. Há relatos de pedintes venezuelanos próximo a pontos bancários, paradas de ônibus e praças movimentadas.

Moradores afirmam que a presença desses imigrantes tem aumentado a sensação de insegurança, especialmente no fim da tarde e à noite. “Eles ficam por horas pedindo, alguns com crianças no colo, outros carregando sacolas com pertences”, disse um comerciante que preferiu não se identificar.

Enquanto isso, a Prefeitura de Montes Claros reforça que tem prestado assistência emergencial às famílias. As 41 pessoas foram trasladadas para o Ginásio Poliesportivo Ana Lopes, onde recebem colchões, kits de higiene, alimentação e acompanhamento de equipes de assistência social.

No entanto, a prefeitura local admite que não tem condições de abrigar o grupo de forma permanente. Em entrevista, o prefeito Guilherme Guimarães afirmou que a cidade “não tem estrutura para manter” as famílias venezuelanas de forma definitiva.

Organizações da sociedade civil e entidades de defesa de direitos humanos já foram acionadas para auxiliar na regularização migratória e no apoio à integração dessas pessoas. Há, inclusive, doações sendo organizadas pela comunidade para suprir as necessidades imediatas do grupo.

A chegada e a situação dos venezuelanos também têm gerado debate político sobre a responsabilidade de prefeituras municipais no acolhimento de imigrantes, bem como sobre a articulação entre municípios para garantir condições dignas para esse tipo de deslocamento.

Diovane Barbosa

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