Suspeitas na gestão do Samu Macronorte levam MPC a cobrar esclarecimentos do Cisrun

O Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência do Norte de Minas, Cisrun, responsável pelo Samu Macronorte, voltou a ser alvo de questionamentos após ignorar duas requisições formais do Ministério Público de Contas de Minas Gerais para apresentação de documentos sobre suspeitas de irregularidades na gestão do órgão.

Diante da falta de respostas e do envio de informações incompletas, o procurador Glaydson Santo Soprani Massaria concedeu, nesta quinta-feira, dia 19, um novo prazo de 15 dias úteis ao presidente do consórcio, Gonsalo Antônio Mendes de Magalhães, para o encaminhamento da documentação. O despacho alerta que o descumprimento poderá resultar em responsabilização nas esferas cabíveis.

O Ministério Público de Contas classificou a conduta do Cisrun como especialmente grave, apontando evidente desrespeito institucional. O órgão de controle ressaltou ainda que a ausência de colaboração pode levar à adoção de medidas legais mais rigorosas para garantir o acesso às informações e a responsabilização dos agentes públicos envolvidos.

A primeira requisição foi feita em 18 de junho deste ano. O consórcio solicitou prorrogação do prazo, que foi concedida. No entanto, quando a documentação foi apresentada, o material foi considerado bastante deficitário pelo MPC. Já a segunda requisição sequer foi respondida até esta sexta-feira.

Dos oito itens solicitados pelo Ministério Público de Contas, seis não foram apresentados. Entre as principais omissões estão informações sobre possíveis funcionários fantasmas e sobre o pagamento de diárias em duplicidade.

O MPC requisitou contratos e folhas de ponto dos últimos 12 meses de três servidores investigados, mas nenhum desses documentos foi encaminhado. Também permanecem pendentes as notas de empenho referentes às diárias pagas ao ex-prefeito de Juvenília e ex-presidente do Cisrun, Rômulo Marinho Carneiro, entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024, acompanhadas de relatórios e comprovantes das despesas. A mesma documentação solicitada para outros servidores também não foi apresentada.

Enquanto os prazos se acumulam e os documentos não aparecem, a transparência na gestão pública segue aguardando atendimento.

Diovane Barbosa

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