Famílias da Fazenda Ebenezer, em Jequitaí, temem expulsão e relatam clima de medo no Norte de Minas

Famílias que vivem da agricultura familiar na Fazenda Ebenezer, localizada no município de Jequitaí, no Norte de Minas, vivem momentos de apreensão diante da possibilidade de serem retiradas da área onde moram e produzem há anos. No local, trabalhadores rurais cultivam alimentos, mantêm pequenas criações e garantem o sustento próprio e dos filhos por meio da produção agrícola.

“O que a gente tira da terra é o que coloca comida na mesa. Aqui é o nosso trabalho e o futuro dos nossos filhos”, relatou uma moradora do assentamento.

O clima de insegurança aumentou após uma decisão judicial envolvendo a área. Uma empresa que atuava na região com a extração de madeira de eucalipto interrompeu as atividades. Procurada pela reportagem, a empresa informou que paralisou os trabalhos por determinação judicial da Comarca de Pirapora.

As famílias afirmam que não possuem qualquer ligação com as atividades empresariais citadas no processo e reforçam que a ocupação tem caráter social e produtivo. “A gente nunca mexeu com madeira nem com carvão. Nosso trabalho é só plantar e criar nossos animais”, afirmou outro morador.

Além da insegurança jurídica, os moradores relatam episódios de intimidação. Segundo eles, pessoas armadas teriam circulado pela propriedade, o que gerou medo entre quem vive no local. Um boletim de ocorrência foi registrado relatando que indivíduos chegaram de motocicleta, atravessaram a cerca da fazenda e passaram próximos às áreas de produção portando armas de fogo, deixando o local sem dizer nada.

“Depois disso, a gente ficou com medo. Tem criança, tem família aqui. A gente só quer viver em paz e trabalhar”, contou uma das pessoas entrevistadas.

Um advogado acompanha o caso e presta assistência jurídica às famílias. Segundo ele, os moradores não são parte direta da disputa judicial e precisam ser ouvidos antes de qualquer medida extrema. “Estamos falando de famílias que vivem da agricultura familiar, exercem a função social da terra e não podem ser penalizadas por uma disputa que não envolve diretamente essas pessoas”, destacou o advogado.

Enquanto o processo segue em tramitação na Comarca de Pirapora, as famílias permanecem vivendo sob o temor de uma possível expulsão, cobrando diálogo e sensibilidade do poder público para que a aplicação da lei não resulte em mais um episódio de vulnerabilidade social no campo.

Diovane Barbosa

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