Moradores denunciam falta de manutenção na Lagoa do Parque Uirapuru e temem novos alagamentos em Manga

Registro de câmera de segurança de 27 de novembro de 2025 mostra veículos submersos no centro da cidade após o transbordamento da Lagoa do Parque Uirapuru. O incidente, ocorrido após fortes chuvas no final de 2025, causou prejuízos a comerciantes e moradores que apontam a falta de manutenção na comporta do Rio São Francisco como causa do alagamento. (Foto: Redes Sociais)

A cidade de Manga, no Norte de Minas Gerais, voltou a enfrentar transtornos provocados por alagamentos sempre que chove com maior intensidade. No fim de 2025, uma forte chuva transformou parte da região central em cenário de caos, após a lagoa do Parque Uirapuru transbordar e inundar ruas, residências e estabelecimentos comerciais.

Os prejuízos atingiram principalmente moradores e comerciantes que vivem e trabalham nas imediações da lagoa, localizada em uma área central e bastante frequentada da cidade. O espaço, que normalmente é utilizado para lazer, prática de atividades físicas, registros fotográficos e realização de eventos, acabou se tornando um ponto de preocupação recorrente em períodos chuvosos.

A lagoa do Parque Uirapuru possui ligação direta com o Rio São Francisco por meio de uma comporta, responsável pelo controle do nível da água. Segundo moradores, quando o sistema não recebe o acompanhamento adequado, o risco de transbordamento aumenta consideravelmente. Nesses casos, o que deveria ser um espaço de convivência passa a representar ameaça à segurança da população.

O Portal Gerais News vem recebendo, há algum tempo, denúncias de moradores de Manga. A mais recente foi feita por um cidadão que preferiu não se identificar por questões de segurança. De acordo com ele, a Prefeitura não estaria realizando a manutenção necessária na Lagoa Uirapuru, e a comporta apresentaria um vazamento significativo, permitindo o retorno da água do rio para a lagoa. “A lagoa é ligada ao rio por uma comporta. Se o rio sobe, a água volta para a lagoa e precisa fechar. Mas quando o rio está baixo e há previsão de chuva, é preciso abrir a comporta para a água da cidade escoar. Se isso não acontece, alaga tudo. Foi o que aconteceu da última vez”, relatou o morador.

O alagamento ocorrido no fim de 2025 voltou a atingir a região central de Manga após o transbordamento da Lagoa do Parque Uirapuru, provocando prejuízos a moradores e comerciantes e reacendendo o debate sobre a manutenção e o controle do sistema de comportas ligado ao Rio São Francisco. Veja as imagens enviadas por moradores e que circularam nas redes sociais.

Carros em motos ficaram submersos, a rua virou um caos e uma academia ficou completamente inundada. Créditos das fotos: Redes Sociais.

Segundo ele (o morador), o problema não é recente. Em 2022, mesmo sem chuva intensa no município, o nível elevado do Rio São Francisco teria provocado o retorno da água, inundando grande parte da cidade. Na ocasião, ainda conforme o denunciante, a Prefeitura teria garantido que realizaria reparos e manutenção para evitar novos episódios, o que, na prática, não teria ocorrido. “Se eles tivessem mantido o nível da lagoa baixo e a comporta aberta antes da chuva, não teria acontecido o que aconteceu agora, com comércio inundado e prejuízo para todo mundo que trabalha na orla da lagoa. É falta de organização e de gestão”, afirmou.

O alagamento registrado em 2022 deixou ruas, imóveis e comércios da região central de Manga debaixo d’água após o transbordamento da Lagoa do Parque Uirapuru, episódio que gerou prejuízos à população e ainda hoje é lembrado por moradores como um alerta para a necessidade de manutenção e monitoramento constantes do sistema de comportas. Veja abaixo as  imagens que foram enviadas por moradores e circularam em redes sociais.

Comerciantes tiveram graves prejuízos. Créditos das fotos: Redes Sociais.

Diante da repercussão, a Prefeitura de Manga se manifestou recentemente por meio de seus canais oficiais nas redes sociais. Em nota, informou que acompanha constantemente o nível do Rio São Francisco e adota medidas preventivas para garantir a segurança da população. “A Prefeitura de Manga, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, segue atenta e monitorando constantemente a situação do nível do rio. Comporta fechada, dique de proteção e nível do rio monitorados. As equipes técnicas permanecem em acompanhamento permanente”, diz o comunicado.

Apesar da nota oficial, a publicação gerou reação negativa entre internautas. Muitos questionaram a efetividade das ações anunciadas e relataram problemas persistentes na estrutura da comporta. “Postagem mentirosa. Não basta fechar a comporta, tem que consertar e deixar as bombas prontas para esvaziar a lagoa”, comentou uma internauta.

“Agora monitora mesmo, o estrago já foi feito”, escreveu outra usuária.

Moradores reforçam que, além do monitoramento, há um vazamento ativo que precisa ser corrigido com urgência, já que a água estaria retornando para a lagoa, aumentando o risco de novos alagamentos.

Em publicação recente nas redes sociais, um vereador do município fez duras críticas à condução da administração municipal. No texto, o parlamentar classificou a gestão como lenta, ineficiente e desorganizada, alegando falhas na prestação de serviços e na resolução de problemas considerados urgentes para a população.

Segundo o vereador, ações mais visíveis só passam a ocorrer quando o calendário eleitoral se aproxima, com iniciativas que, na avaliação dele, teriam o objetivo de “maquiar” a cidade e influenciar a opinião pública. Em contrapartida, afirmou que a administração demonstraria rapidez apenas em situações que envolvem perseguição, retaliação e prejuízo a pessoas.

Para o parlamentar, a realidade do município é marcada pela falta de trabalho efetivo e pelo excesso de ações que, segundo ele, caracterizam perseguição política.

O Portal Gerais News procurou a Prefeitura de Manga para obter um posicionamento específico sobre a denúncia de vazamento na comporta e a falta de manutenção apontada pelos moradores. No entanto, até o fechamento desta reportagem, não houve retorno.

Américo Borges

Américo Borges é jornalista formado pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (FUNORTE). Com ampla experiência em comunicação, já atuou em portais de notícias, rádio e também como assessor de imprensa em órgãos públicos. Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a informação de qualidade e a valorização do jornalismo regional.

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