Olericultura ganha força no Norte de Minas e impulsiona a agricultura familiar

Lavoura de hortaliças no Norte de Minas reflete os avanços da agricultura familiar, com melhoria na produtividade, qualidade dos cultivos e organização do manejo a partir da assistência técnica especializada. (Foto: Assessoria de Comunicação / FAEMG SENAR)

Alface, rúcula, coentro, couve e outras hortaliças que fazem parte da mesa dos brasileiros também são a base da renda de dezenas de famílias no Norte de Minas. Na região, pequenos produtores da agricultura familiar vêm transformando a realidade no campo com o apoio do Sistema Faemg Senar, por meio do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Olericultura, voltado especificamente para o fortalecimento dessa cadeia produtiva.

Atualmente, quatro grupos do ATeG estão em andamento no Norte de Minas: dois em Jaíba/Matias Cardoso, um em Porteirinha/Serranópolis de Minas e outro em Pirapora. Juntos, os grupos beneficiam cerca de 80 pequenos produtores rurais, que passaram a aliar o conhecimento tradicional a novas técnicas produtivas e de gestão, resultando em maior qualidade, produtividade e melhor organização administrativa das propriedades.

Produtor rural recebe orientação técnica em área de cultivo de hortaliças no Norte de Minas, com foco na melhoria do manejo, aumento da produtividade e fortalecimento da gestão da propriedade na agricultura familiar. (Foto: Assessoria de Comunicação / FAEMG SENAR)

De acordo com o técnico de campo Gustavo Oberdan Fernandes Teixeira, responsável pelo grupo de Pirapora, os avanços são visíveis. “De forma prática e visual, noto que muitos dos produtores têm aproveitado bem as assistências. Utilizam de forma mais consciente os defensivos, diminuíram as perdas, elevaram a produção total e a produtividade, bem como a qualidade dos serviços”, explica.

Além do ganho produtivo, a diversificação de culturas também se destaca. Somente no grupo acompanhado por Gustavo, já foram trabalhadas mais de 30 culturas, como alface crespa, roxa e americana, além de tomate italiano e tomate salada/longa vida. Segundo ele, o ATeG tem contribuído para uma nova visão empreendedora no campo. “São produtores que tocam a atividade majoritariamente com mão de obra familiar. O programa tem ajudado a elevar receitas e a conduzir uma melhor aplicação dos recursos, principalmente os custos operacionais diretos, de forma mais consciente e assertiva”, ressalta.

Área de produção de hortaliças na zona rural do Norte de Minas demonstra a diversificação de culturas e a adoção de técnicas de manejo que têm ampliado a qualidade dos produtos e a geração de renda na agricultura familiar. (Foto: Assessoria de Comunicação / FAEMG SENAR)

Oportunidade de renda e qualidade de vida

Dados do Governo de Minas apontam que a produção de hortaliças na agricultura familiar do estado é a segunda maior do Brasil, movimentando cerca de R$ 4,5 bilhões por ano. Nesse cenário, a olericultura tem se mostrado uma importante alternativa de geração de renda e inclusão produtiva no campo.

É o caso de Cleuber Fernandes de Almeida, produtor da região de Serranópolis de Minas. Ex-profissional da construção civil, ele precisou mudar de atividade após receber um marcapasso, por orientação médica. “Migrei para a zona rural porque precisava atuar em uma atividade de menor impacto físico. Meu pai já trabalhou com produção, mas eu nunca imaginei esse cenário. Hoje tem funcionado e evoluído a cada dia, principalmente após o início da assistência técnica”, conta.

Com cerca de dois anos de produção, Cleuber tem na alface seu principal produto e fonte de sustento da família. Em média, são comercializados 400 pés por semana, destinados principalmente a bares e restaurantes da cidade. Com o apoio do ATeG, a gestão do negócio ganhou mais profissionalismo. “Cada conversa é um aprendizado. O programa trouxe uma nova forma de administrar, de entender o que entra e o que sai. É preciso ser produtor rural para além da lida do campo”, afirma.

Cultivo de alface em propriedade da agricultura familiar no Norte de Minas evidencia o uso de manejo orientado e técnicas produtivas que têm garantido maior qualidade, redução de perdas e aumento da produtividade no campo. (Foto: Assessoria de Comunicação / FAEMG SENAR)

Resultados práticos no manejo e na gestão

Em Pirapora, o produtor Ronaldo Leite dos Santos também comemora os resultados da assistência técnica, que se aproxima do encerramento do primeiro ano de acompanhamento. Atuando na olericultura desde 2008, ele decidiu reduzir a área de plantio para investir em qualidade e diversificação. Rúcula, mostarda, coentro, pimenta e couve fazem parte da produção, sendo esta última o principal cultivo, com cerca de 1.200 pés produtivos.

“O programa tem sido uma alavancada. Já estou planejando a roça de 2026 de forma diferente, e o contato com o técnico ajudou muito a estruturar e ajustar a parte administrativa”, relata Ronaldo. Ele destaca ainda a redução de perdas causadas por pragas, problema que afetava sua produção há anos. “Com o ATeG, o técnico presente na propriedade ajudou a traçar estratégias mais eficientes de manejo e controle. Agora é trabalhar para aumentar a produção e alcançar novos mercados”, completa.

Folha de couve colhida em propriedade rural do Norte de Minas evidencia o ganho de qualidade na produção de hortaliças após a adoção de práticas de manejo orientadas, com foco na redução de pragas, aumento da produtividade e acesso a novos mercados. (Foto: Assessoria de Comunicação / FAEMG SENAR)

Para o técnico de campo Anderson Rodrigues, que acompanha os produtores de Porteirinha e Serranópolis de Minas, as visitas iniciais são fundamentais para o sucesso do programa. “Essas primeiras visitas servem para alinhar demandas, compreender as dificuldades e as características de cada propriedade. Com isso, conseguimos abrir um leque maior de mercados. Nos próximos meses, vamos atuar com foco no acesso a programas como o PAA e o PNAE, fortalecendo o escoamento e a intensificação produtiva”, explica.

Com resultados concretos no campo, o Programa ATeG Olericultura do Sistema Faemg Senar reafirma seu papel estratégico no desenvolvimento rural do Norte de Minas, promovendo renda, sustentabilidade e mais qualidade de vida para os pequenos produtores e suas famílias.

Américo Borges

Américo Borges é jornalista formado pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (FUNORTE). Com ampla experiência em comunicação, já atuou em portais de notícias, rádio e também como assessor de imprensa em órgãos públicos. Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a informação de qualidade e a valorização do jornalismo regional.

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