Uma mulher de 33 anos foi presa preventivamente em Montes Claros, no Norte de Minas, suspeita de submeter o companheiro a uma série de agressões físicas ao longo do relacionamento. A ordem judicial foi cumprida pela Polícia Civil, que apura o caso como tortura.
Conforme as investigações, o homem sofreu violência de forma recorrente e chegou a permanecer internado por cerca de 20 dias em 2025, depois que os ferimentos evoluíram para um quadro de infecção.
Em um primeiro momento, a vítima procurou as autoridades e afirmou ter sido atacada pela ex-companheira e pelo atual parceiro dela, quando foi até a residência da mulher buscar objetos pessoais. No entanto, o avanço das apurações revelou que essa versão não condizia com os fatos e teria sido construída pela própria suspeita. Diante disso, além da tortura, ela também passou a responder por denunciação caluniosa.
De acordo com a delegada Monique Bicalho, responsável pelo caso, a narrativa inicial foi descartada após a análise das provas. Segundo ela, a suspeita criou a história para afastar qualquer desconfiança sobre sua participação nas agressões.
A delegada explicou ainda que o homem era constantemente intimidado e, por medo, acabava não reagindo. O casal trabalhava no mesmo local, e a mulher chegou a afirmar que era policial do estado de São Paulo, dizendo estar na cidade para conduzir investigações.
“Ela fazia com que a vítima acreditasse que estava sendo monitorada o tempo todo, o que aumentava o controle psicológico exercido sobre ele”, detalhou.
As apurações também indicaram que a suspeita acompanhava o homem de forma contínua, inclusive durante atendimentos médicos e registros na delegacia, o que levantou novas suspeitas sobre sua conduta.
Durante o cumprimento de mandado de busca no imóvel da investigada, foram recolhidos um ferro de passar roupas e diversas chapinhas, apontados como instrumentos utilizados nas agressões.
A mulher permanece presa e à disposição da Justiça. O inquérito deve ser finalizado no prazo de até dez dias. Conforme a Polícia Civil, ela também é investigada por envolvimento na morte de um ex-companheiro no estado de São Paulo.