Enquanto o Carnaval movimenta festas e blocos por todo o país, cresce no Norte de Minas a procura por experiências mais tranquilas e conectadas à natureza. O turismo rural tem se consolidado como uma alternativa para quem deseja fugir da agitação, oferecendo imersão na cultura local, na gastronomia típica e no cotidiano do campo. Em diversas cidades da região, produtores rurais e empreendedores do setor de hotelaria têm investido em roteiros que valorizam tradições, saberes e sabores regionais.
Um dos destaques está na região da Serra Geral, especialmente no município de Porteirinha. O local reúne belezas naturais e uma culinária que chama a atenção de visitantes de diferentes partes do país. Exemplo disso é a Queijaria Rubi, comandada pela produtora Rubnei Santos Gomes, premiada em concursos internacionais. Integrante da rota turística do queijo, a agroindústria passou por reformas nos últimos anos para receber turistas interessados em conhecer de perto o processo de produção.
“Desde quando essa nova estrutura da queijaria foi construída, com o apoio do Sistema Faemg Senar, ela já foi pensada para receber o turista. A ideia sempre foi oferecer um espaço amplo para visitas guiadas durante a produção e também ter tempo para conversar, apresentar a nossa história e a nossa estrutura”, explica Rubnei. A proposta inclui visitas agendadas e degustações orientadas, que ajudam a divulgar a qualidade dos queijos produzidos na região.
Segundo a produtora, a iniciativa fortalece o pequeno produtor e movimenta a economia local. “A produção rural tem uma grande importância econômica para Porteirinha. É ela que faz a economia girar dentro do município”, avalia.
Criando identidade no campo
Outro exemplo de sucesso vem do entorno do Parque Serra Nova e Talhado, entre os municípios de Porteirinha, Serranópolis, Mato Verde e Rio Pardo. Lá, frango caipira, biscoito frito e cocadas transformaram o empreendimento de Zilda Santana em ponto de referência para turistas que visitam as cachoeiras da região. Moradora da área rural, Zilda deixou a carreira de professora para investir no turismo. O que começou como uma pequena quitanda se transformou na pousada Cantinho da Serra, hoje com 14 suítes e alta taxa de ocupação.
“Ao perceber o aumento dos turistas, vi a necessidade de criar um espaço de apoio. Primeiro veio a quitanda e, depois, a pousada. Aqui ofereço comida mineira de verdade, como frango caipira, carne de sol, requeijão e a cocada, que já ficou famosa”, conta Zilda, em tom bem-humorado. Para os próximos meses, ela planeja incluir passeios guiados a cavalo, ampliando as opções de lazer para os visitantes.
Dinamizar receitas da fazenda
Em Mirabela, o produtor Francisco de Paula Soares Fonseca encontrou no turismo rural uma forma de diversificar as receitas da propriedade. Dono de uma fazenda dedicada à bovinocultura de leite desde 1994, ele passou a investir, em 2025, na hospedagem e em experiências rurais, como passeios a cavalo, participação na ordenha e na produção de queijos. Assim nasceu o Refúgio Raiz.
“A proposta é oferecer um turismo de experiências, onde o visitante possa vivenciar o ambiente rural. A atividade precisa ser dinâmica e agregar novas possibilidades dentro da propriedade”, explica Francisco, que já planeja ações como colheita de pequi na safra e a criação de novos espaços de convivência.
Beneficiado pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), do Sistema Faemg Senar, o produtor destaca que produtividade e turismo caminham juntos. “A boa produção ajuda o turismo”, resume.
Com iniciativas como essas, o Norte de Minas mostra que o campo também é destino certo para quem busca descanso, autenticidade e contato direto com a cultura rural, especialmente em períodos como o Carnaval.

