Homenagem a Lula transforma desfile em campo de batalha eleitoral

Foto: Alex Ferro/Riotour

O Carnaval de 2026 ganhou contornos ainda mais políticos com o desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí, no último domingo, 15. Em pleno ano eleitoral, a escola levou para a avenida um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e provocou forte reação de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Com o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a apresentação exaltou a trajetória do petista e evitou temas controversos de sua carreira, como as investigações por corrupção que marcaram mandatos anteriores. Alegorias e versos elogiosos alegraram a arquibancada, mas também ampliaram a insatisfação entre eleitores bolsonaristas, que viram no desfile uma peça de campanha antecipada.

A maior controvérsia girou em torno de uma alegoria que retratava um palhaço com tornozeleira eletrônica, interpretação amplamente associada a Bolsonaro. Nas redes sociais, grupos bolsonaristas reagiram com indignação, com alguns pedindo a inelegibilidade do atual presidente, afirmando que Lula estaria “se apropriando” do Carnaval para fortalecer sua imagem pública às vésperas da campanha.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) criticou publicamente a representação, afirmando que “quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial e não opinião. A fala ecoou entre apoiadores do ex-presidente, que passaram a defender a configuração de propaganda irregular e até crime eleitoral.

Antes mesmo de a escola entrar na avenida, a oposição tentou, sem sucesso, barrar judicialmente a apresentação. Parlamentares e lideranças alinhadas a Bolsonaro argumentaram que a homenagem feria a legislação eleitoral por promover diretamente o atual presidente em ano de eleição. 

Mesmo entre aliados do presidente houve cautela. Parte da base governista avaliou que o envolvimento direto de Lula e da primeira-dama Janja no desfile poderia representar um risco político desnecessário em meio ao calendário eleitoral. Ainda assim, prevaleceu a avaliação de que a exposição valeria a pena, consolidando a narrativa de esperança e reconstrução associada ao petista.

Além de sustentar que houve propaganda eleitoral antecipada, críticos destacam que a Acadêmicos de Niterói, assim como outras escolas de samba, recebe recursos públicos, o que, na visão deles, agravaria o suposto desvio de finalidade. Para o senador Sergio Moro (União-PR), “o dinheiro do contribuinte [está sendo] utilizado por uma escola de samba para fazer propaganda eleitoral antecipada para o Lula. Coisa de caudilho populista. Caminhamos para uma democracia de fachada”.

Eduarda Maciel

Eduarda Maciel é jornalista formada em 2025 pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Possui experiência nas áreas de jornalismo cultural, esportivo e produção de conteúdo para mídias sociais. Sua atuação é marcada pelo compromisso com a informação de qualidade e pela criação de conteúdos para diferentes públicos e plataformas digitais.

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