Dino proíbe criação de benefícios que façam servidores ganharem acima do teto de R$ 46 mil

Rosinei Coutinho/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, determinou a suspensão de novas leis ou atos administrativos que criem verbas indenizatórias ou benefícios capazes de ultrapassar o teto constitucional do funcionalismo público. A decisão reforça o limite remuneratório atualmente fixado em R$ 46,3 mil, equivalente ao salário dos ministros do Supremo e ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetar dispositivos que poderiam abrir margem para pagamentos acima desse valor.

A medida foi tomada no âmbito de ações que discutem a legalidade de chamados “penduricalhos”: adicionais, gratificações ou auxílios pagos a servidores públicos que, na prática, elevam a remuneração mensal além do teto previsto na Constituição.

Pela Constituição Federal, nenhum servidor pode receber acima do subsídio dos ministros do Supremo, hoje estabelecido em R$ 46.366,19. Apesar disso, diferentes órgãos ao longo dos anos passaram a adotar verbas classificadas como indenizatórias, o que permite que esses valores não sejam contabilizados dentro do limite constitucional.

Na decisão, Dino destacou que novos atos normativos que tenham como objetivo contornar o teto por meio de benefícios indiretos não poderão ser criados enquanto o mérito das ações for analisado. Segundo o ministro, é necessário preservar o que chamou de “integridade do sistema constitucional remuneratório”.

O entendimento do magistrado ocorre após o presidente Lula vetar trechos de uma proposta que autorizava o pagamento de verbas indenizatórias a determinadas categorias do serviço público, o que poderia resultar em salários superiores ao teto. O veto presidencial foi justificado com base no princípio da responsabilidade fiscal e na necessidade de respeitar os limites constitucionais.

A discussão sobre os chamados “penduricalhos” não é recente. Auxílios como moradia, alimentação, saúde e gratificações por acúmulo de função já foram alvo de questionamentos judiciais e debates no Congresso Nacional. Críticos afirmam que esses mecanismos criam distorções e comprometem a transparência das contas públicas. Já entidades representativas de servidores argumentam que parte dos pagamentos tem natureza indenizatória legítima e não configura aumento salarial.

Com a decisão, ficam suspensas iniciativas que possam ampliar esse tipo de benefício até que o Supremo analise de forma definitiva a questão. O tema envolve impacto direto nas contas públicas e atinge carreiras do Judiciário, Ministério Público e outros setores do funcionalismo.

Ainda não há data para o julgamento final do caso pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.

Anna Narciso

Anna Narciso é jornalista formada pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (FUNORTE), desde 2021. Possui experiência em jornalismo, marketing e varejo, com atuação voltada à produção de conteúdo, comunicação estratégica e relacionamento com o público. Sua trajetória é marcada pela versatilidade, olhar atento às narrativas contemporâneas e compromisso com uma comunicação clara, ética e alinhada às demandas do mercado

Destaques