Versos sobre o Mundo: a lenda do lago congelado

(Foto: Imagem criada com o auxílio de Inteligência Artificial)

Olá, queridos leitores.

Estamos aqui para mais uma coluna. Como passaram a semana?
Desejo que todos vocês estejam bem, protegidos e com muita saúde.

Vamos juntos viajar por um tema. Já sabe, né? Sobe na garupa da moto filosófica e vem comigo. Se segura, hein… não vá cair!

Sabe, meus caros? Há muito tempo venho observando o jornalismo, os jornalistas, seus grupos, seus hábitos e seus jeitos de ser. Uma das classes mais desunidas que existem, marcada por inúmeras contradições.

Sinceramente, certas coisas não compreendo, e nem quero. Apenas me calo e me afasto. Não por medo, pois, se existe um tipo de gente que não mete medo, é esse tipo. Eu respeito todo mundo, e isso basta.

Essa é a minha profissão. Foi o que escolhi. Se foi uma escolha errada ou não, já não sei, e, no fim das contas, já não importa quem errou. É como naquela música que gosto: “Já não importa quem errou, o que passou, passou, então vem!” (Trecho de “Amor Perfeito”, composição de Robson Jorge / Paulo Massadas / Michael Sullivan e Lincoln Olivetti, foi eternizada por Roberto Carlos, em 1986, e regravada pelo Grupo 2 a 1 em 2001, versão que penso ser a melhor).

Vejo o jornalismo como algo fantástico, magnífico, mas profundamente passível de críticas. E é justamente por isso que resolvi unir tudo o que sei dessa profissão à filosofia. Meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), na faculdade de Filosofia, discute a virtude e a prudência no exercício do jornalismo, tudo isso sob a ótica do gigante Aristóteles.

Você já se sentiu inseguro(a)? É normal, não é? Penso que isso só é saudável até certo ponto. Quando nunca, ou quase nunca, nos sentimos seguros, há algo errado. É assim que muitas vezes eu e outros colegas nos sentimos nessa profissão.

A crítica é constante. O jornalista está ali para apanhar. A pergunta que faço é: essas críticas são justas ou injustas?
Eu afirmo, com a minha experiência: na maioria das vezes, são injustas.

Essa é uma profissão extremamente desafiadora, difícil de sustentar por toda uma vida. Vejo relatos de colegas com depressão, precisando de ajuda médica. Isso é normal? Fala aí pra mim.

Claro que é preciso ser forte, buscar ser o melhor profissional possível, ter responsabilidade na entrega de conteúdo e resultados. Essa profissão é como a própria vida: dura, exigente, não é coisa para gente de gelatina. Pessoas absurdamente frágeis dificilmente permanecem.

No entanto, existem coisas que independem de você ser forte ou fraco. Muitas vezes, você será traído pelo contexto, pelas circunstâncias, pelo excesso e também pela falta, pela cobrança, e, claro, pelas pessoas. Aqui, não é você que é feito de gelatina. É o retrato de uma profissão profundamente desvalorizada e desacreditada. Ainda assim, seguimos firmes.

Já ouviu falar da Lenda do Lago Congelado?
Tenho certeza de que não, pois essa lenda fui eu que inventei, ou melhor, refleti a partir das minhas observações. Fica comigo aqui na moto filosófica que eu te conto.

Reza a lenda que um jornalista caminhava sobre um lago congelado. Dava passos largos, o gelo parecia firme e ali ele se sentia seguro. Tudo ia tão bem que ele começou a correr, jogar futebol, pular, fazer churrasco… tudo em cima do lago. O jornalista decidiu até construir sua casa ali mesmo. Nunca refletiu sobre nada.

Até que, um dia, o gelo se partiu. Tudo desmoronou dentro do lago, inclusive o bobão. E ali ele se viu obrigado a nadar novamente, sem rumo, sem perspectiva de futuro, frustrando mais uma vez as pessoas que ama com falsas expectativas profissionais.

É preciso fincar os dois pés no chão da realidade, sem criar ilusões. A partir do que é real, caminhar em busca dos sonhos. Sonhos, sim. Ilusões, jamais!

Espero sinceramente que essa reflexão não tenha te deixado chateado(a), mas que tenha aberto seus olhos, seja para concordar ou para discordar do que foi dito.

Chegamos ao fim da nossa viagem. Se você não concorda, tudo bem! Somos parceiros. Depois da reflexão, podemos sair para tomar uma, né? Ou melhor… você pode beber, se quiser. Eu prefiro me manter sóbrio.

Para encerrar, uso a frase de um grande amigo, Vinícius, a quem deixo aqui um abraço: “Na minha vida, eu quero caminhar lúcido!”

Eu também, meu amigo, eu também.

Até a próxima segunda-feira, gente boa!

Américo Borges

Américo Borges é jornalista formado pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (FUNORTE). Com ampla experiência em comunicação, já atuou em portais de notícias, rádio e também como assessor de imprensa em órgãos públicos. Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a informação de qualidade e a valorização do jornalismo regional.

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