O Ministério da Justiça e Segurança Pública negou o recurso apresentado pelo ex-escrivão da Polícia Federal e ex-vereador de Montes Claros, Cláudio Ribeiro Prates, acusado de fraudar uma operação policial realizada em 2010. A decisão mantém a penalidade aplicada contra o ex-servidor após processo administrativo disciplinar.
Segundo as investigações, Prates teria manipulado provas durante a operação conhecida como “Senhor das Armas”. O caso envolveu a prisão do tenente aposentado Wendel Nassau Nether, detido à época sob suspeita de armazenar material de pedofilia e possuir armas de forma irregular.
De acordo com a apuração interna da Polícia Federal, o ex-escrivão teria inserido um pen drive com arquivos de pornografia infantil em um dos locais alvo de mandados de busca e apreensão. O dispositivo foi apresentado como prova durante a ação policial, o que levou à prisão em flagrante do investigado, que permaneceu meses respondendo a processo criminal.
Ao longo da investigação, surgiram indícios de que o material havia sido incluído artificialmente no local. O processo administrativo também apontou a realização de diligências consideradas simuladas, com o objetivo de dar aparência de legalidade à descoberta do conteúdo.
A decisão que determinou a expulsão de Prates da Polícia Federal destacou que a conduta foi incompatível com o exercício da função pública. No entendimento das autoridades, ele teria usado o cargo para provocar a abertura de uma operação baseada em informações consideradas falsas e posteriormente manipuladas.
O caso também resultou em denúncia do Ministério Público Federal por fraude processual. Em 2020, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região condenou o ex-escrivão a três anos, um mês e 14 dias de prisão. A pena foi convertida em prestação de serviços à comunidade e pagamento de multa.
Cláudio Ribeiro Prates também teve atuação política em Montes Claros, onde exerceu mandato como vereador e chegou a presidir a Câmara Municipal.