Entre tradições culinárias e histórias que atravessam gerações, o doce de marmelo se tornou um verdadeiro símbolo de São João do Paraíso, no Norte de Minas Gerais. A cidade conquistou o reconhecimento de “Terra do Doce de Marmelo” graças à forte presença dessa produção em sua economia e cultura. Hoje, o município é considerado o maior produtor desse doce no estado, mantendo viva uma tradição que envolve trabalho familiar, técnicas artesanais e identidade regional.
O protagonista dessa tradição é o marmeleiro (Cydonia oblonga), uma planta originária da Ásia Menor e do Sudeste da Europa. Trazido ao Brasil pelos portugueses, o seu fruto, o marmelo, possui diversos usos culinários. Ele pode ser consumido cru, em sucos, em sopas e principalmente na forma de doce, a famosa marmelada, que por muitos anos esteve entre os doces mais populares do Brasil.
Inicialmente cultivado em São Paulo, o marmeleiro acabou se espalhando para outras regiões do país, especialmente para áreas de clima mais favorável em Minas Gerais. A cultura ganhou força na região da Serra da Mantiqueira, onde cidades como Delfim Moreira e Marmelópolis chegaram a concentrar grandes plantações e fábricas de marmelada durante o século XX. Com o passar do tempo, porém, a produção nessas regiões diminuiu, abrindo espaço para que outras localidades assumissem destaque.
Foi nesse contexto que São João do Paraíso passou a se destacar na produção do doce. Segundo dados do IBGE sobre a Produção Agrícola Municipal, o município lidera atualmente a produção de doce de marmelo em Minas Gerais. A atividade se tornou uma importante fonte de renda local, envolvendo cerca de 70 famílias que vivem do cultivo do marmelo, da colheita e da fabricação do doce.
A produção mantém, em grande parte, características artesanais. O doce de marmelo é preparado com frutos selecionados, geralmente sem adição de conservantes, garantindo um produto natural e de alta qualidade. Em média, a cidade produz cerca de 350 toneladas por ano, normalmente comercializadas em barras de aproximadamente 1,7 quilo. Para conservar melhor o sabor, o doce costuma ser embalado a vácuo ou envolvido em palhas de bananeira.
Para fortalecer ainda mais a atividade, os produtores locais se organizaram e criaram a Cooperativa dos Produtores de Marmelo de São João do Paraíso (Coopemar). A iniciativa busca melhorar a qualidade da produção, ampliar mercados e valorizar o trabalho dos produtores.