O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, decidiu manter o andamento de uma investigação que apura suspeitas de compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Monte Azul, no Norte de Minas. O caso envolve a suposta distribuição de caixas d’água a eleitores durante o período eleitoral.
Entre os investigados estão o ex-prefeito Dr. Paulo, seu vice-prefeito, Edilson Rocha, o vereador Silvio Araújo, atual presidente da câmara municipal no munícipio, e o vereador conhecido como Deone dos Teclados e outras pessoas apontadas como possíveis intermediárias na distribuição dos equipamentos.
As apurações tiveram início após denúncias de que caixas d’água pertencentes à prefeitura teriam sido entregues a moradores com o objetivo de influenciar o voto durante a campanha eleitoral. A investigação integra a chamada Operação Blue Box, conduzida pela Polícia Federal, que cumpriu mandados de busca e apreensão e recolheu celulares e documentos para análise.
A defesa dos investigados tentou suspender o inquérito alegando que, por envolver autoridades com prerrogativa de foro, o caso deveria ser conduzido desde o início pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais. Também foi solicitado que atos praticados pela primeira instância fossem anulados.
Ao analisar o pedido, Dino entendeu que não houve irregularidade na condução inicial da investigação. Segundo o ministro, no momento em que as apurações começaram não havia autoridades com foro especial formalmente incluídas como investigadas, o que justificava a atuação da Justiça Eleitoral de primeira instância.
Com a decisão, o processo segue em andamento para verificar se houve captação ilícita de sufrágio, crime eleitoral caracterizado pela oferta de vantagens a eleitores em troca de votos. As autoridades continuam analisando o material apreendido para identificar possíveis responsabilidades e eventual participação de outros envolvidos.
