Médica é denunciada por homicídio após morte de paciente em procedimento estético em Montes Claros

O Ministério Público de Minas Gerais denunciou uma médica por homicídio qualificado pela morte de uma paciente de 41 anos durante um procedimento estético conhecido como mini lipo, realizado em Montes Claros. A vítima morreu no dia 11 de dezembro de 2025.

De acordo com o MPMG, o crime foi enquadrado como homicídio com dolo eventual, quando o agente assume o risco de causar a morte, e qualificado por motivo torpe. A acusação aponta que a profissional teria agido movida por interesse econômico ao oferecer procedimentos de baixo custo, reduzindo gastos com estrutura e equipe adequada.

As investigações indicam que a chamada Mini Extração Lipídica Ambulatorial, conhecida como Mela, foi realizada em um consultório alugado, que funcionava originalmente como sala de fisioterapia e não possuía alvará sanitário para intervenções invasivas. Segundo o Ministério Público, a médica, formada há cerca de um ano e sem especialização em cirurgia plástica, realizou o procedimento em condições inadequadas.

Ainda conforme a denúncia, durante o procedimento foi administrada sedação venosa com propofol sem a presença de anestesiologista e sem equipamentos apropriados para monitoramento da paciente. O órgão também classificou a técnica utilizada como grosseiramente arriscada, apontando que a cânula foi introduzida em profundidade incompatível com a segurança, atingindo estruturas internas como o retroperitônio e a artéria femoral.

A paciente sofreu choque hemorrágico, com perda intensa de sangue, e morreu no local. O espaço, segundo o MPMG, não contava com itens básicos de emergência, como desfibrilador e oxigênio.

Diante dos fatos, o Ministério Público solicitou que a médica seja levada a julgamento pelo Tribunal do Júri, por se tratar de crime contra a vida, além do pagamento de indenização aos familiares da vítima.

Em nota, o advogado de defesa, Warlem Freire, informou que já tomou conhecimento da denúncia e aguarda a decisão da Justiça sobre o recebimento ou não da acusação. Ele afirmou que a defesa irá se manifestar oportunamente e contestará a imputação de dolo eventual, classificando a denúncia como contrária ao entendimento consolidado na jurisprudência.

Diovane Barbosa

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