A Polícia Civil de Minas Gerais deflagrou uma operação para investigar um esquema estruturado de produção e comercialização de carvão vegetal de origem ilícita, envolvendo empresas e investidores com atuação principalmente no Norte de Minas Gerais.
Segundo a PCMG, um grupo de investidores realizava aportes em empresas instaladas majoritariamente na região, que seriam utilizadas para emissão de notas fiscais, obtenção de créditos florestais e guias de controle ambiental. O que chamou a atenção dos investigadores foi a incompatibilidade entre a capacidade produtiva declarada por essas empresas e a estrutura física apresentada, superando até mesmo negócios consolidados no setor.
As ordens judiciais foram cumpridas em diversas cidades das regiões Norte e Central de Minas, incluindo Várzea da Palma, Taiobeiras, Três Marias, Coração de Jesus, Francisco Sá, Águas Vermelhas, Indaiabira, Ubaí, Rio Pardo de Minas e Santo Antônio do Retiro. Também houve cumprimento de mandados no Distrito Federal e no estado de Sergipe.
De acordo com a investigação, havia atuação conjunta e organizada de pessoas físicas e jurídicas, incluindo empresas do setor siderúrgico, de transporte e do ramo florestal, com o objetivo de viabilizar a produção e comercialização de carvão ilegal. Em Taiobeiras, foi registrado o maior número de mandados, nove ao todo, além da identificação dos principais alvos da operação.
Ainda conforme a Polícia Civil, documentos de controle ambiental falsificados eram utilizados para acobertar a comercialização do carvão de origem ilícita, proveniente de mata nativa ou de fontes irregulares. Uma das estratégias do grupo consistia em misturar o produto ilegal com carvão de origem regular, utilizando guias ambientais para transporte e venda, além do uso de empresas de fachada para obtenção de créditos ambientais.
A delegada Bianca Landau Braile destacou que o esquema causou prejuízos significativos ao meio ambiente. Em uma das áreas fiscalizadas, foram identificados cerca de nove mil metros cúbicos de carvão vegetal acobertados por documentação irregular, avaliados em aproximadamente R$ 3,4 milhões.
Os investigados poderão responder por crimes como lavagem de capitais, associação criminosa e delitos ambientais.