Uma organização criminosa composta por integrantes de uma mesma família foi alvo da operação Corujão, deflagrada pela Polícia Civil de Minas Gerais nesta quinta-feira (23), em Januária, no Norte do estado. A ação resultou no cumprimento de sete mandados de prisão preventiva, dez mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias e da indisponibilidade de bens móveis e imóveis dos investigados.
De acordo com as investigações, o grupo atuava há mais de 20 anos no município com exploração do jogo do bicho e estrutura organizada, com divisão de funções entre chefia, contadores, gerentes e cambistas. Ao longo desse período, a atividade criminosa teria se expandido e passado a movimentar cifras milionárias.
Para ocultar a origem do dinheiro, os suspeitos teriam criado empresas nos setores de materiais de construção e distribuição de gás, utilizadas para a prática de lavagem de dinheiro.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Flávio Cavalcanti Rocha, a investigação exigiu um trabalho detalhado. “Havia uma estrutura bem definida, com divisão de tarefas. Foi necessário um trabalho minucioso para rastrear o caminho do dinheiro, desde a arrecadação com os cambistas até a sua inserção no mercado formal”, afirmou.
Durante a operação, foram apreendidos cerca de dez veículos — entre caminhões, automóveis, motocicletas e máquinas — além de celulares, dinheiro, documentos e outros materiais de interesse investigativo.
O delegado regional em Januária, Luiz Bernardo Rodrigues de Moraes Neto, destacou a importância da ação. “Esta operação reafirma o compromisso da Polícia Civil no enfrentamento do crime organizado, especialmente no combate à lavagem de dinheiro oriunda da exploração do jogo do bicho”, disse.
A operação Corujão é desdobramento da operação Ascêncio Bet, deflagrada em janeiro de 2024, quando a PCMG já havia identificado a atuação do grupo. Na ocasião, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão, sete pessoas foram presas e a Justiça determinou a indisponibilidade de aproximadamente R$ 10 milhões em bens dos investigados, com o objetivo de enfraquecer a estrutura financeira da organização.
Com base nos novos levantamentos, a Polícia Civil representou à Justiça por outras medidas, que foram autorizadas e executadas nesta nova fase. O nome “Corujão” faz referência ao termo “Corujinha”, utilizado no jogo do bicho para indicar o último sorteio do dia, às 21h, simbolizando a etapa final das ações do grupo investigado.
A operação contou com a participação de cerca de 25 policiais civis, com apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) da PCMG e do Ministério Público de Minas Gerais. As medidas foram autorizadas pelo Poder Judiciário da comarca de Januária.

Os presos foram encaminhados ao sistema prisional e permanecem à disposição da Justiça. As investigações continuam para a completa elucidação dos fatos e responsabilização dos envolvidos.