A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu seis pessoas durante a Operação Refúgio Seguro, deflagrada nesta terça-feira (22), em Montes Claros, para investigar crimes cometidos em clínicas clandestinas. Segundo a delegada Karine Maia, entre os presos está o proprietário das unidades, apontado como principal alvo das investigações. Também foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão.
De acordo com a PCMG, as apurações começaram há cerca de três anos e tiveram origem em denúncias e irregularidades identificadas em clínicas que recebiam adultos e menores de idade. A investigação aponta suspeitas relacionadas às condições de internação, uso e administração de medicamentos, agressões físicas, tortura e outros crimes.
Ainda conforme a delegada, a Polícia Civil identificou pelo menos 10 vítimas de abuso sexual dentro das clínicas. Os crimes, segundo a investigação, teriam sido praticados principalmente pelo proprietário. A PCMG afirma que meninas eram submetidas a ameaças, chantagens, oferta de dinheiro ou drogas e, em alguns casos, teriam sido induzidas a manter relações sexuais sob a promessa de deixar a clínica antes do período previsto.
A delegada relatou ainda que, durante uma operação realizada semanas antes, os policiais encontraram cerca de 16 mulheres em condições consideradas sub-humanas, com falta de higiene e medicamentos armazenados de forma irregular. Na ocasião, duas menores de idade foram retiradas da unidade e encaminhadas ao Conselho Tutelar.
Segundo Karine Maia, os responsáveis pelas agressões também permaneciam próximos durante as visitas familiares para impedir que as vítimas relatassem o que ocorria nas clínicas. A Polícia Civil trabalha com a possibilidade de que muitos familiares desconhecessem a situação.
A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher em conjunto com o Ministério Público, incluindo órgãos voltados à infância, à saúde e à apuração de crimes sexuais. Conforme a PCMG, os investigados foram presos temporariamente, medida que pode ser prorrogada ou convertida em prisão preventiva, conforme o andamento das apurações.




















