O vereador de Montes Claros e candidato a deputado estadual pelo Podemos, Rodrigo Cadeirante, se vê no centro de uma discussão sobre coerência política depois de receber R$ 500 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o chamado fundão eleitoral. O valor foi repassado pela direção nacional do Podemos e representa 95,7% dos R$ 522,6 mil declarados até o momento pela campanha.
A cifra chama atenção principalmente pelo histórico de declarações do próprio candidato. Em 2021, ao criticar o financiamento público de campanhas, Rodrigo afirmou ser “totalmente contrário ao fundão” e disse que nunca havia aceitado dinheiro dos fundos Eleitoral e Partidário. Na mesma ocasião, defendeu que políticos que recebessem os recursos deveriam devolvê-los posteriormente.
O discurso também contrastava com a imagem de uma campanha simples, feita, segundo declarações atribuídas ao próprio candidato, com poucos apoiadores e recursos limitados. Agora, quatro anos depois, a realidade financeira da candidatura é outra: somente do fundo eleitoral, Rodrigo recebeu meio milhão de reais para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Após a repercussão, Rodrigo afirmou que não havia dito que faria uma campanha sem dinheiro, mas que não gastaria milhões e receberia apenas o suficiente para colocar a candidatura nas ruas. A explicação, entretanto, não encerrou o debate nas redes sociais. O questionamento central passou a ser justamente a mudança de postura em relação ao dinheiro público que anteriormente era alvo de críticas tão duras.
Os números oficiais ajudam a dimensionar a discussão. Até a atualização disponível, Rodrigo havia declarado R$ 522,6 mil em receitas, sendo R$ 500 mil provenientes do Podemos e R$ 22,6 mil de recursos próprios. A campanha ainda não apresentava despesas declaradas na base consultada.
A repercussão também ganhou força diante da comparação com outros nomes do Norte de Minas que disputam vagas na Assembleia. O fato de candidatos com trajetória política consolidada receberem valores diferentes do fundo eleitoral passou a alimentar questionamentos sobre os critérios de distribuição dos recursos partidários.
No caso de Rodrigo Cadeirante, porém, a questão vai além do valor. O episódio coloca frente a frente duas posições públicas do mesmo político: a de quem, no passado, classificou o fundão como inaceitável e afirmou que jamais aceitaria recursos públicos para suas campanhas, e a do candidato que agora tem R$ 500 mil do fundo eleitoral à disposição de sua campanha.
A equipe de jornalismo do Portal Gerais News fez contato com Rodrigo Cadeirante para que ele pudesse apresentar sua versão e esclarecer os questionamentos levantados na apuração. Porém, até o fechamento desta matéria, o vereador e candidato não respondeu aos contatos. O espaço permanece aberto para que ele possa se manifestar e apresentar seus esclarecimentos.



















