O advogado Sílvio de Melo Rocha, mineiro que ficou conhecido por sua condenação pelos atos de 8 de janeiro de 2023, morreu após enfrentar uma batalha contra o câncer e complicações decorrentes de um transplante de medula óssea.
A notícia foi divulgada nas redes sociais por pessoas próximas a ele e provocou manifestações de pesar entre familiares e apoiadores.
Natural de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, Sílvio morava havia 33 anos em Monte Azul, no Norte de Minas. Ele deixa a esposa e três filhos, de 31, 29 e 12 anos.
Segundo relatos de familiares, o advogado descobriu a doença durante o período em que esteve preso em razão do processo relacionado aos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília. Ele foi condenado a 14 anos de prisão. Posteriormente, enfrentou o tratamento contra o câncer e buscou um transplante de medula óssea. De acordo com pessoas próximas, o procedimento foi seguido por uma rejeição, que agravou seu quadro de saúde.
Em conversa com uma advogada, que também foi presa e condenada no contexto dos atos de 8 de janeiro lamentou a morte do colega. Ela relatou que os dois responderam ao mesmo processo e receberam penas de 14 anos de prisão, mas foram mantidos separados por determinação judicial, sem autorização para se comunicar.
A advogada afirmou ainda que os mandados de prisão foram expedidos em 15 de abril. Enquanto ela passou por uma cirurgia, Sílvio enfrentava a necessidade de um transplante de medula. Segundo o relato, os dois não retornaram à prisão por questões de saúde.
“É difícil encontrar palavras diante de uma perda tão grande”, destaca a advogada, ao mencionar o sofrimento enfrentado pelo amigo e por seus familiares. Ela também defendeu o respeito à dignidade humana e afirmou que continuará acreditando na necessidade de justiça.
Uma cunhada de Sílvio relatou que ele teria dito à família que preferia morrer a voltar para a prisão. Segundo ela, essa disposição teria influenciado sua decisão de se submeter ao transplante, apesar dos riscos envolvidos. A informação foi atribuída à família e não foi possível confirmá-la de forma independente.
Familiares também contestam a associação direta do advogado aos atos de depredação registrados em Brasília. Segundo eles, as publicações feitas por Sílvio durante os acontecimentos de 8 de janeiro teriam sido registradas do lado de fora dos prédios dos Três Poderes, e ele não teria participado da invasão e da destruição do patrimônio público. Essa versão corresponde ao relato da família e, por si só, não permite estabelecer as circunstâncias consideradas no julgamento.
Durante o período em que esteve preso, Sílvio escreveu o livro 8 de Janeiro: Relatos de um Patriota Preso. A obra, cuja capa circula nas redes sociais, apresenta a experiência do autor a partir de sua perspectiva sobre a prisão e os acontecimentos que levaram à sua condenação.
A morte do advogado reacendeu manifestações de apoio a condenados pelos atos de 8 de janeiro e críticas às decisões judiciais relacionadas aos processos. Ao mesmo tempo, deixa uma família enlutada e uma trajetória marcada pela condenação, pelo tratamento de uma doença grave e pela tentativa de recuperação.
Em meio às homenagens, pessoas próximas pediram que sua história seja lembrada. Para a família, além da perda, permanece o desafio de lidar com as circunstâncias que marcaram os últimos anos de sua vida.




















