Em uma disputa acirrada e marcada por uma reviravolta sem precedentes na história eleitoral recente do país, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25). Com a vitória, o petista assegura mais quatro anos à frente do Palácio do Planalto e atinge um marco inédito: torna-se o primeiro líder brasileiro a ser escolhido quatro vezes pelo voto popular para comandar o Poder Executivo.
A confirmação matemática foi declarada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h08, no instante em que a apuração atingia 97% das urnas. Naquele momento, o atual mandatário somava 51,74% dos votos válidos, enquanto seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), registrava 48,26%.
O desfecho consolida a reversão do cenário visto no primeiro turno, quando o candidato do PL havia ficado na liderança com 47% das preferências válidas contra 45% do presidente. A reviravolta decorreu de uma intensa mobilização de rua aliada a uma ofensiva digital na fase final da campanha, permitindo a Lula vencer o filho de seu antecessor, Jair Bolsonaro, a quem já havia derrotado no pleito de 2022.
A vitória ocorre na véspera de o presidente completar 81 anos de idade, mas o novo ciclo exigirá respostas rápidas para impasses estruturais complexos. Entre as principais exigências do quarto mandato estarão a capacidade de articulação política diante de uma oposição fortalecida no Congresso Nacional e o gerenciamento das contas públicas, pressionadas pela ampliação de despesas e benefícios promovidos ao longo do ano eleitoral.
Com origens no interior de Pernambuco, infância humilde e projeção nacional conquistada na liderança das greves operárias do ABC paulista, o metalúrgico cofundador do PT amplia uma biografia de recordes e controvérsias. Após vitórias em 2002 e 2006, condenações anuladas pela Justiça, 580 dias de cárcere e o retorno vitorioso em 2022, Lula reafirma sua condição de protagonista central da vida pública brasileira no século 21.



















