Fundado em setembro de 2023, o Serviço de Inspeção Municipal (SIM) do Codanorte consolidou-se como uma ferramenta estratégica para o fortalecimento da agroindústria e o desenvolvimento econômico regional. Mais do que atuar na fiscalização e na garantia da segurança dos alimentos, o serviço oferece orientação técnica, suporte à regularização e acesso a novos mercados, criando condições estruturadas para o crescimento de produtores e empreendedores.
Atualmente presente em 26 municípios distribuídos pelo Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha e região Central, o SIM CODANORTE acompanha de perto iniciativas de destaque, como os Laticínios Toê, a Granja Sítio Morrinhos, a Nocca Alimentos (unidade de beneficiamento de carnes e produtos cárneos) e a Queijaria Tereza, todos em São Francisco; além do Laticínio Rancho dos Gerais, em Pedras de Maria da Cruz; e do Laticínio Pontense, em São João da Ponte.
O grande diferencial do modelo consorciado é a ampliação das fronteiras comerciais. Os empreendimentos regularizados pelo SIM CODANORTE ganham o direito de comercializar seus produtos em todos os municípios que integram o consórcio — uma rede que atualmente reúne 67 cidades, impulsionando significativamente o faturamento e a competitividade dos negócios locais.
Para a gerente do SIM CODANORTE, Deiviane Muniz, o trabalho tem promovido uma mudança cultural importante na percepção dos produtores e da sociedade. “No início, ainda existia uma percepção de que o serviço de inspeção chegava apenas para fiscalizar, cobrar adequações e apontar o que precisava ser corrigido. Hoje, essa visão está mudando. A população e os empreendedores estão começando a compreender que o SIM CODANORTE veio para somar. Nosso trabalho é garantir a segurança dos alimentos, mas também orientar, acompanhar e criar caminhos para que o produtor possa se regularizar, crescer e acessar novos mercados. Quando conseguimos mostrar que a inspeção não é um obstáculo, mas uma ferramenta de desenvolvimento, a relação muda completamente. Passamos a ser vistos como parceiros na construção de um empreendimento mais seguro, estruturado e competitivo”, destaca.
Do sonho ao prêmio: O caso do Laticínio Rancho dos Gerais
Um exemplo emblemático desse impacto é a trajetória do Laticínio Rancho dos Gerais, localizado em Pedras de Maria da Cruz. Fundado pelo empresário Brígido Cabral — natural de Januária que retornou ao Norte de Minas após construir carreira em São Paulo —, o empreendimento nasceu do desejo de recomeçar no meio rural com foco na qualidade.
Com determinação e o suporte das políticas públicas, de orientação técnica e do serviço de inspeção, o projeto saiu do papel e conquistou o mercado com rapidez. Em apenas oito meses de atuação, o Rancho dos Gerais faturou a medalha de prata no Prêmio Queijo Brasil, atestando a excelência de sua produção.
Com capacidade de beneficiamento de 30 mil litros de leite por mês, a agroindústria utiliza a matéria-prima para fabricar iogurtes, queijos, geleias e doces. O selo do SIM permitiu que os iogurtes do laticínio chegassem às prateleiras de grandes supermercados de Montes Condor e região, além de tradicionais espaços de comercialização direta, como a feira do bairro São José, em Montes Claros.
O sucesso regional, no entanto, é apenas uma etapa. O empreendimento já está em processo de adequação para obter o SISBI-POA (Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal), o que padroniza os procedimentos de inspeção e abrirá portas para a comercialização em todo o território nacional.
Para Brígido Cabral, a conquista reflete a união entre a iniciativa privada e o poder público. “A determinação do pequeno produtor é fundamental, mas, quando ela encontra acesso às políticas públicas, orientação técnica e oportunidades, tudo pode mudar. O SIM CODANORTE foi parte importante para transformar um sonho em realidade e mostrar que é possível construir grandes histórias no interior.”
Impacto além do campo
Para além do sucesso individual das marcas, os reflexos da regularização alcançam toda a cadeia produtiva da região.
“Quando um produtor consegue regularizar sua produção e acessar novos mercados, os benefícios ultrapassam o próprio empreendimento. São gerados empregos, fortalecidas cadeias produtivas, movimentada a economia local e valorizados os produtos da região”, resume o presidente do Codanorte, Miguel Felipe.

Fotos: Ascom / CODANORTE



















