Desde 2002, o Arraiá do Pequizá vem encantando o público com sua mistura de arte, crítica social e valorização da cultura popular. Em entrevista ao Portal Gerais, o presidente do grupo, Rafael Borges, compartilhou a trajetória da quadrilha, que nasceu com um nome irreverente — “Péla Rego do Rego Pelado” — como forma de protesto contra o desmatamento dos córregos de Montes Claros. Com o tempo, o grupo buscou fortalecer sua identidade cultural e adotou o nome atual, inspirado no pequi, fruto símbolo do Norte de Minas, presente na culinária, na memória afetiva e na vida cotidiana da população local.

Hoje, o Arraiá do Pequizá conta com 64 integrantes, entre dançarinos, diretores, equipe de apoio, roteiristas, músicos, coreógrafos, cenógrafos e responsáveis pelo figurino e mídia. A preparação para a temporada de apresentações começa já em janeiro, com uma dedicação intensa até a estreia em junho. Embora as danças se concentrem entre junho e início de agosto, o trabalho criativo é contínuo ao longo do ano.

Estilo próprio e crítica social
Um dos principais diferenciais do grupo é a maneira como incorpora elementos críticos e teatrais às apresentações, sempre com um forte vínculo com as raízes do Norte de Minas. “O Pequizá tem um jeito regional de fazer quadrilha”, explica Rafael. Os espetáculos seguem uma estrutura com três atos: uma abertura coreografada, o teatro do casamento dos noivos (que representa o ápice da história) e, por fim, a festa e a despedida com uma mensagem final.
Apesar de não ter participado de competições este ano, o grupo marcou presença em importantes festivais, como o 1° Festival Junino Arraial das Formigas, em Montes Claros, e o 3° Festival Regional de Bocaiuva. Destaques de 2025 incluem o casal de noivos, pela expressividade e talento, e os dançarinos novatos que mantêm viva a chama da cultura junina entre diferentes gerações.

Cultura viva e desafios constantes
Para os integrantes, a quadrilha vai além da dança. É uma ferramenta de expressão artística, pertencimento e formação pessoal. Rafael destaca que muitos descobrem habilidades artísticas e desenvolvem competências diversas a partir das demandas do grupo.
O impacto também se estende à comunidade local: movimenta a economia criativa com a contratação de serviços e contribui para o comércio nos locais onde se apresenta. Com forte presença nos bairros do Grande Maracanã, o Pequizá se tornou referência na região.
No entanto, os desafios são grandes. A falta de financiamento obriga os próprios dançarinos a arcarem com custos de figurinos, transporte e alimentação, o que provoca evasão por dificuldades financeiras ou compromissos de trabalho e estudo. Além disso, a estrutura para ensaios é limitada, dependendo da boa vontade de diretores escolares.
Mais que quadrilha, um projeto social
Na essência, o Arraiá do Pequizá é também um projeto social. De forma voluntária, os 64 integrantes levam cultura e alegria a mais de 4 mil pessoas por ano, promovendo apresentações em comunidades, bairros e cidades vizinhas. Além disso, realizam campanhas de arrecadação de alimentos e agasalhos para doação.

Uma mensagem que ecoa
Para quem acompanha o trabalho do grupo ou ainda vai conhecer, Rafael deixa um convite reflexivo: “A tradição junina é mais do que uma brincadeira, nos ajude a vivê-la! Brincar de pular fogueira, de dançar em roda, mas também levar as dores e alegrias da sociedade em forma de quadrilha. Pois esse é o Arraiá do Pequizá!”
Com arte, resistência e identidade, o Arraiá do Pequizá segue transformando histórias e mantendo viva a força da cultura junina no coração do Norte de Minas.
*Foto: Redes Sociais | Arraiá do Pequizá