Um caso de violência doméstica ganhou contornos ainda mais graves em Jenipapo de Minas, no Vale do Jequitinhonha. Na tarde de terça-feira (22), um homem de 44 anos incendiou uma viatura da Polícia Militar no momento em que sua companheira, de 34 anos, prestava depoimento no quartel sobre agressões sofridas.
De acordo com a PM, a mulher relatou que convive com o suspeito há 17 anos e que, mesmo após registrar boletins de ocorrência e obter medida protetiva no passado, decidiu manter o relacionamento, acreditando nas promessas de mudança. No entanto, a violência teria se intensificado novamente, com ameaças de morte e agressões físicas. No dia anterior ao crime, o homem teria arremessado um celular em seu rosto e dito que a mataria, fugindo logo em seguida.
Durante o atendimento na residência da vítima, o agressor apareceu pelos fundos, ameaçou os policiais e conseguiu escapar por uma área escura de mata. Preocupada com a segurança da mulher, a equipe a levou para o quartel para acolhimento e registro da ocorrência.
Enquanto o boletim era confeccionado, câmeras de segurança registraram a aproximação suspeita de uma bicicleta motorizada. Em seguida, populares alertaram os militares de que uma viatura estava em chamas do lado de fora da unidade. Ao verificarem, os policiais identificaram o agressor fugindo com outro homem, posteriormente apontado como cúmplice no ataque.
Testemunhas disseram que o suspeito quebrou o vidro do veículo, despejou solvente usado para diluir tinta e ateou fogo. Partes internas da viatura, como o banco, a porta, o painel e o freio de mão, foram danificadas. Os militares conseguiram controlar as chamas rapidamente.
Após buscas, o autor foi localizado, mas tentou fugir novamente. Na abordagem, resistiu com violência e chegou a agredir os policiais, causando uma torção no pé e no joelho de um sargento. Durante a prisão, confessou ser o autor do incêndio. O segundo envolvido também foi preso e admitiu participação no crime.
A mulher, abalada emocionalmente, recebeu atendimento médico e reclamava de dores em um dos olhos, resultado das agressões sofridas. Já o agressor, mesmo ao receber cuidados médicos, voltou a ameaçar os policiais, afirmando que “não ficaria preso por muito tempo”.
Com os suspeitos, foram apreendidos uma lata de solvente, um isqueiro, uma bicicleta elétrica e um capacete. O caso foi encaminhado para a Delegacia da Polícia Civil, onde ambos responderão por diversos crimes, incluindo incêndio criminoso, resistência, lesão corporal e violência doméstica.
Em nota, a Polícia Militar reiterou seu compromisso com a preservação da ordem pública e afirmou que não tolera qualquer tipo de violência contra seus agentes, instalações ou patrimônio.