Uma servidora da Câmara Municipal de Montes Claros registrou um boletim de ocorrência relatando ter sido vítima de suposta agressão verbal dentro das dependências do Legislativo municipal. O caso teria ocorrido na manhã do dia 6 de março de 2026, por volta das 10h, no gabinete do vereador Soter Magno, em Montes Claros.
De acordo com o registro policial, a servidora A.O.B.S., de 51 anos, afirmou que foi abordada verbalmente pelo jornalista Aurélio Vidal, que estaria no local buscando informações institucionais relacionadas às atividades do gabinete em que ela trabalha.
Segundo o relato presente no boletim de ocorrência, a servidora disse ter se sentido desrespeitada e constrangida com a forma como foi abordada. Ela relatou que estava sozinha no gabinete no momento da situação e que, devido ao receio da abordagem que classificou como agressiva, decidiu se deslocar para outra sala nas dependências da Câmara.
Ainda conforme o registro policial, a servidora afirmou que, mesmo após mudar de local, o jornalista teria ido atrás dela, tentando filmá-la com um aparelho celular e fazendo questionamentos.
A solicitante também declarou que observou diferença na forma como o jornalista teria abordado gabinetes onde havia assessores do sexo masculino, afirmando que, nesses casos, ele teria agido de maneira mais rápida e educada, sem insistência ou alteração no tom de voz.
O boletim de ocorrência foi registrado como ocorrência remota, sem perícia técnica no local.
Versão do jornalista
Procurado pela reportagem, o jornalista Aurélio Vidal negou as acusações e afirmou que a denúncia não procede. Segundo ele, sua presença na Câmara fazia parte de um trabalho jornalístico de fiscalização de gastos públicos.
Em nota, o jornalista declarou que, desde dezembro do ano passado, tem solicitado aos 23 gabinetes da Câmara informações sobre prestação de contas relacionadas a gastos com diárias. Ele afirma que protocolou pedidos formais, mas que até o momento a maioria dos vereadores não apresentou respostas.
Vidal disse que esteve na Câmara em duas ocasiões tentando obter esclarecimentos e que realizou registros em vídeo das abordagens feitas durante as tentativas de obter informações.
O jornalista também afirmou que considera a acusação uma tentativa de descredibilizar sua atuação profissional após reportagens publicadas anteriormente sobre gastos públicos do Legislativo municipal.
“Essa acusação é falsa e leviana. Meu trabalho é acompanhar os gastos públicos e solicitar informações que são de interesse da população”, declarou. Ainda segundo o jornalista, ele não foi oficialmente notificado sobre qualquer procedimento decorrente da ocorrência, mas disse estar à disposição para prestar esclarecimentos às autoridades.
Apuração
Até o momento, o caso consta apenas como registro de ocorrência policial. Eventuais desdobramentos dependem de investigação ou de manifestação das partes envolvidas nas instâncias competentes.
A assessora frisou que tudo o que ele [o jornalista Aurélio Vidal] pediu no ofício encaminhado aos parlamentares, poderia ser encontrado no Portal da Transparência; que ele foi três vezes ao gabinete onde a servidora trabalha.
A reportagem tentou contato com a presidência da Câmara Municipal de Montes Claros para comentar o caso e sobre as solicitações de prestação de contas mencionadas pelo jornalista, mas não houve retorno até a conclusão desta matéria.
Para a procuradora da Comissão das Mulheres da Câmara, Maria Helena Lopes, não havia necessidade desse tipo de abordagem para obter as informações e aponta que o comportamento foi interpretado como intimidador, inclusive pelo uso da voz e da postura física.
“A gente recebeu a denúncia porque não é preciso agir dessa forma para obter as informações necessárias, nem agredir [verbalmente] mulheres para isso. Curiosamente, o caso aconteceu no dia seis, às vésperas do 8 de março, data que se comemora o Dia da Mulher”, concluiu.
Atualmente, a Comissão é composta pelas vereadoras Maria Helena Lopes (MDB), que atua como procuradora, Professora Iara Pimentel (PT), como primeira procuradora, e Carol Figueiredo (PL), como segunda procuradora.