A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (15) que a exposição da Corte nas últimas semanas provocou um “mal-estar cívico” entre os brasileiros. A declaração ocorreu durante o julgamento de uma questão relacionada às denúncias envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no contexto do caso Banco Master.
Cármen Lúcia afirmou estar consternada com a situação e avaliou que a repercussão dos acontecimentos teria gerado intranquilidade na população. Segundo ela, o Judiciário deveria contribuir para tranquilizar a sociedade, especialmente durante o período eleitoral.
A ministra acompanhou o presidente do STF, Edson Fachin, na defesa de que as denúncias contra Moraes e Mendonça fossem analisadas separadamente. Luiz Fux também adotou esse entendimento.
O julgamento foi interrompido após um pedido de vista do ministro Flávio Dino e ainda não tem data definida para ser retomado. Até a suspensão, o placar parcial era de 4 votos a 3 pela análise separada dos casos.
Votaram pela análise conjunta Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes. Como Dino pediu vista, sua posição não entrou no placar.
Entenda o caso
A controvérsia ganhou força após André Mendonça retirar o sigilo de um relatório que continha mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e relacionadas a Alexandre de Moraes. Segundo a Polícia Federal, as mensagens foram enviadas entre 2023 e novembro de 2025.
Entre os documentos divulgados, há referência a um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Moraes nega qualquer irregularidade e classificou a investigação conduzida por Mendonça como inconstitucional e ilegal.
Em reação, Moraes encaminhou ao presidente do STF um relatório de inteligência que, segundo ele, apontaria possível direcionamento das investigações contra adversários políticos de Mendonça. O documento, porém, não possui assinatura ou timbre da Polícia Federal e traz a indicação de que se trata de uma conjectura, sem valor probatório.
A Procuradoria-Geral da República também pediu a Fachin a anulação do relatório sobre as mensagens atribuídas a Moraes e defendeu que Mendonça teria avançado sobre a investigação sem comunicar previamente a presidência ou o plenário do STF. Essas alegações ainda são objeto de análise.
(Com informações da Agência Brasil)




















