Montes Claros se prepara para viver mais uma edição das tradicionais Festas de Agosto, uma das maiores manifestações de cultura popular e religiosidade de Minas Gerais. Entre os dias 11 e 16 de agosto, a cidade receberá centenas de integrantes dos grupos de Catopês, Marujos e Caboclinhos, além de milhares de fiéis, turistas e admiradores da cultura popular para celebrar os 185 anos dos festejos dedicados a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e ao Divino Espírito Santo.
Com o tema “Tradição que inspira, fé que nos une, cultura que transforma”, a edição deste ano preserva rituais que atravessam gerações, como os cortejos, reinados, levantamento de mastros, procissões e celebrações religiosas, reafirmando a importância das Festas de Agosto para a identidade cultural do Norte de Minas.
Para o mestre Zanza Júnio, embaixador brasileiro da Cultura Popular e coordenador das Festas de Agosto, a celebração representa um patrimônio construído e mantido pelas famílias que integram os ternos tradicionais.
“As Festas de Agosto são a alma viva da nossa história. Para nós, Catopês, Marujos e Caboclinhos, elas representam fé, resistência e identidade“, destaca.
Segundo ele, a preservação dessa tradição começa dentro de casa, com o chamado “altar familiar”, onde crianças e jovens aprendem desde cedo os valores, os rituais e a devoção que mantêm viva a manifestação há quase dois séculos.
Embora aconteçam simultaneamente e compartilhem parte da programação, as Festas de Agosto e o Festival Folclórico têm propostas distintas.
As Festas de Agosto possuem caráter religioso e são organizadas pela Associação dos Grupos de Catopês, Marujos e Caboclinhos de Montes Claros, juntamente com seus mestres e integrantes, com apoio da Prefeitura.
Já o Festival Folclórico, que chega à 45ª edição, é promovido pelo município e reúne apresentações musicais, exposições, cinema e atividades culturais paralelas.
Durante o festival, os grupos tradicionais participam dos cortejos e, em seguida, seguem para os rituais religiosos, como os levantamentos de mastros, reinados e procissões.
As atividades oficiais começam no dia 11 de agosto, com a abertura das Festas de Agosto, às 19h, na sede da Associação dos Catopês, Marujos e Caboclinhos.
No dia 12 de agosto, acontece a recondução do Cruzeiro restaurado para a Praça Portugal e, à noite, o tradicional Levantamento do Mastro de Nossa Senhora do Rosário.
Em 13 de agosto, será realizado o Reinado de Nossa Senhora do Rosário pela manhã, seguido, à noite, pelo Levantamento do Mastro de São Benedito.
No dia 14 de agosto, ocorre o Reinado de São Benedito durante a manhã e, à noite, o Levantamento do Mastro do Divino Espírito Santo.
A programação continua em 15 de agosto, com o cortejo do Império do Divino Espírito Santo.
O encerramento será no dia 16 de agosto, com o Encontro Mineiro de Ternos de Congado e a tradicional procissão que reúne todos os grupos participantes em um grande cortejo pelas ruas do Centro Histórico até a Igreja do Rosário.
Paralelamente às celebrações religiosas, o 45º Festival Folclórico levará ao público uma programação artística distribuída por diversos espaços culturais da cidade.
A Galeria Godofredo Guedes receberá uma exposição, enquanto a Arena da Praça da Matriz sediará atividades da Trilha da Leitura voltadas ao público infantil. O Centro Cultural Hermes de Paula exibirá sessões de cinema diariamente, sempre às 18h.
A programação musical começa no dia 12 de agosto, com apresentações de Bruno e Fabiana, Grupo Rei dos Temerosos e Chico Mineiro.
No dia 13, sobem ao palco Feliphy Mairink, Capoeira Aberrê e Taboo.
Em 14 de agosto, as atrações serão Catrumano, Famiguê e Trem do Black.
No sábado (15), a programação contará com Monoporzione, Congado de Brasília de Minas, Titane, Grupo Fitas e Telo Borges, que fará uma homenagem a Lô Borges e ao Clube da Esquina.
O encerramento artístico, no domingo (16), terá apresentações do Grupo Saruê, Débora Guedes — em homenagem a Luiz Guedes — e Zubatuke.
Além de celebrar a religiosidade e a cultura popular, as Festas de Agosto movimentam o turismo, o comércio e a economia de Montes Claros, consolidando-se como um dos eventos mais importantes do calendário cultural de Minas Gerais e uma referência na preservação das tradições afro-brasileiras e da identidade do povo norte-mineiro.