Hantavírus: entenda doença que matou passageiros em navio vindo da Argentina

Ruslanas Baranauskas, Science Photo Library / Ilustração de um hantavírus

Cinco casos de hantavírus já foram confirmados em um navio de cruzeiro que saiu da Argentina com destino a Cabo Verde, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Até o momento, três pessoas morreram e outros passageiros seguem em monitoramento ou internados.

O surto ocorre a bordo do navio MV Hondius e chamou a atenção de autoridades sanitárias internacionais após passageiros de diferentes países apresentarem sintomas compatíveis com a doença. Apesar da preocupação, a OMS afirmou que o risco para a população em geral segue considerado baixo.

Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, novos casos ainda podem surgir devido ao longo período de incubação do vírus. A organização acompanha o deslocamento da embarcação até a chegada em Tenerife, na Espanha.

O que é o hantavírus?

O hantavírus é transmitido principalmente por roedores silvestres infectados. Os animais eliminam o vírus por meio da urina, saliva e fezes, sem apresentar sintomas da doença.

A infecção humana geralmente acontece após a inalação de partículas contaminadas presentes no ambiente. Também há registros de transmissão por contato com mucosas (como olhos, nariz e boca e por ferimentos causados por roedores). Em casos raros, já houve transmissão entre pessoas, especialmente associada ao hantavírus Andes, identificado na Argentina e no Chile.

A doença causada pelo vírus é conhecida como hantavirose e pode evoluir para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), condição grave que afeta pulmões e coração.

Sintomas podem evoluir rapidamente

Os sintomas iniciais incluem:

– Febre;
– Fadiga;
– Dores musculares;
– Dor de cabeça;
– Tontura;
– Calafrios;
– Problemas abdominais.

Nos quadros mais graves, os pacientes podem desenvolver insuficiência respiratória, comprometimento cardiovascular e síndrome respiratória aguda.

Não há tratamento específico

De acordo com o Ministério da Saúde, não existe medicamento específico contra o hantavírus. O tratamento é voltado ao controle dos sintomas e varia conforme a gravidade do quadro clínico.

Pacientes em estado grave podem necessitar de internação em UTI, ventilação mecânica, oxigenoterapia e até diálise. Profissionais de saúde devem utilizar equipamentos de proteção individual, como máscaras, luvas e óculos de proteção.

Mortes e casos suspeitos

O primeiro caso suspeito foi o de um homem que apresentou sintomas em 6 de abril e morreu cinco dias depois no navio. Inicialmente, o caso não foi associado ao hantavírus.

Dias depois, a esposa dele desembarcou na ilha de Santa Helena, apresentou piora durante um voo para Joanesburgo, na África do Sul, e morreu após ser internada. Exames confirmaram a infecção.

Outra vítima foi uma passageira alemã, que morreu no início de maio após desenvolver sintomas respiratórios.

Além das mortes, outros passageiros seguem hospitalizados em estado estável. Um britânico permanece internado em terapia intensiva na África do Sul.

Países monitoram possíveis novos casos

Autoridades de países como Holanda, Singapura, França e Estados Unidos investigam pessoas com suspeita de infecção após contato com passageiros do cruzeiro.

Na Holanda, uma comissária de bordo da companhia aérea KLM foi internada após apresentar sintomas compatíveis com a doença. Em Singapura, duas pessoas foram isoladas por terem viajado no mesmo voo de uma das vítimas.

Segundo a OMS, os países de origem dos passageiros já foram notificados para monitoramento de possíveis casos.

OMS descarta nova pandemia

A diretora do Departamento de Prevenção e Preparo para Epidemias e Pandemias da OMS, Maria Van Kerkhove, afirmou que o cenário é diferente do registrado durante a pandemia de Covid-19.

“Isso não é o começo de uma nova pandemia”, afirmou a especialista, ao destacar que o hantavírus não possui a mesma capacidade de transmissão entre pessoas.

Anna Narciso

Anna Narciso é jornalista formada pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (FUNORTE), desde 2021. Possui experiência em jornalismo, marketing e varejo, com atuação voltada à produção de conteúdo, comunicação estratégica e relacionamento com o público. Sua trajetória é marcada pela versatilidade, olhar atento às narrativas contemporâneas e compromisso com uma comunicação clara, ética e alinhada às demandas do mercado

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