O Governo de Minas Gerais anunciou, na manhã desta terça-feira (25), em Montes Claros, uma força-tarefa estratégica para garantir que os poços artesianos perfurados no Norte de Minas recebam a infraestrutura elétrica necessária para o seu pleno funcionamento. A iniciativa busca assegurar o abastecimento de água e ampliar a capacidade de enfrentamento aos impactos severos previstos pelo fenômeno climático El Niño.
O anúncio oficial foi feito pelo secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Almeida, durante encontro técnico realizado na sede da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (AMAMS). O evento ocorreu em parceria com a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec-MG) e reuniu dezenas de prefeitos, gestores públicos e representantes regionalizados para alinhar estratégias preventivas contra a seca prolongada.
Desafios financeiros dos municípios
Na abertura do evento, o presidente da AMAMS e prefeito de São João da Lagoa, Ronaldo Soares Mota Dias, enfatizou a urgência de políticas públicas permanentes de combate à seca e pediu prioridade do Governo Estadual na instalação dos equipamentos elétricos nos poços já perfurados. Segundo o dirigente municipal, o abismo financeiro entre perfurar e equipar um poço é um entrave crítico para as administrações locais. “Os municípios chegam a investir cerca de R$ 30 mil na perfuração de um poço e depois precisam desembolsar até R$ 100 mil para equipá-lo. É um custo muito alto para as prefeituras, principalmente neste momento em que precisamos garantir água para as comunidades rurais e apoiar os produtores”, Ronaldo Soares Mota Dias, Presidente da AMAMS.
Ronaldo também chamou a atenção para a vulnerabilidade da agricultura familiar e a redução na operação-pipa neste ano, o que sobrecarrega ainda mais os cofres municipais. Além disso, o prefeito pontuou a preocupação com a queda nos repasses do ICMS, que compromete a saúde financeira das prefeituras e o pagamento da folha de servidores.
Integração e ações preventivas
O coordenador estadual de Defesa Civil, coronel Paulo Rezende, destacou a importância da sinergia entre Estado, municípios e órgãos regionais. O oficial alertou que os efeitos do El Niño extrapolam a agropecuária, atingindo diretamente a saúde pública e a infraestrutura local, e elogiou a iniciativa antecipada da AMAMS. “Precisamos trabalhar de forma integrada e antecipar as ações. A seca está cada vez mais severa e os municípios precisam estar preparados para enfrentar seus impactos”, afirmou Rezende.
Impactos na produção e apoio técnico
Apresentando um cenário preocupante, o secretário Thales Almeida informou que a Emater-MG foi mobilizada para monitorar os reflexos do El Niño na pecuária e na agricultura. Atualmente, apenas cerca de 15% do solo mineiro apresenta umidade adequada, ameaçando diretamente a produtividade de grãos e a qualidade das pastagens.
Panorama atual & ações:
Solo com umidade adequada: Apenas ~15%
Kits de irrigação distribuídos: Mais de 20 mil
Foco principal: Eletrificação de poços
Como contraponto, o secretário destacou que o Estado já distribuiu mais de 20 mil kits de irrigação e avança na liberação para estruturas de armazenamento de água em projetos de médio porte. A força-tarefa anunciada consolida a integração entre perfuração, eletrificação e fornecimento de equipamentos, transformando investimentos estéreis em água corrente para quem mais precisa.
A AMAMS reforçou que seguirá firme na articulação junto ao Governo de Minas e à Defesa Civil, buscando mitigar os impactos econômicos e sociais da estiagem e garantindo a segurança hídrica duradoura para o povo norte-mineiro.


















