Instituto Hahaha chega a Montes Claros e leva palhaçaria a hospitais, escolas e instituições de acolhimento

Entre os dias 19 e 23 de outubro, iniciativa vai atender cerca de 600 pessoas com intervenções artísticas voltadas à promoção da alegria e ao acesso à cultura

Foto: Rodrigo Zeferino

Montes Claros recebe, pela primeira vez, o trabalho do Instituto Hahaha, organização que há 14 anos promove a alegria e a esperança por meio da arte da palhaçaria em hospitais, escolas públicas e espaços de acolhimento. Entre os dias 19 e 23 de outubro, dois artistas caracterizados como “palhaços médicos” visitarão quatro instituições da cidade, levando arte e cultura a crianças, jovens, adultos e idosos em situação de vulnerabilidade.

A ação faz parte do Expresso Hahaha, iniciativa vinculada ao projeto Manutenção Instituto Hahaha, viabilizada com patrocínio da Cemig e da Drogaria Araújo, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, com realização da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) e do Governo de Minas Gerais.

Segundo Gyuliana Duarte, artista, cofundadora e gestora do Instituto Hahaha, levar a palhaçaria a hospitais, escolas e espaços de acolhimento é uma forma de reafirmar que a arte deve estar acessível a todos. Ela destaca o potencial das intervenções para transformar ambientes e proporcionar experiências culturais a pessoas que nem sempre têm acesso a esse tipo de manifestação artística.

“É lindo ver a potência da arte de transformar o ambiente e proporcionar mais alegria para essas pessoas. Além disso, muitas vezes, o Hahaha promove arte e cultura para um público privado deste acesso, que pela primeira vez tem o contato direto com a arte através do palhaço ou da palhaça, por meio das intervenções artísticas do Hahaha”, afirma.

Gyuliana também ressalta a importância de levar o trabalho a Montes Claros, cidade que possui uma forte identidade cultural e um movimento de preservação e valorização das manifestações populares. Para ela, a chegada do grupo representa uma oportunidade de encontro e troca com a comunidade local.

“Chegar a um território com uma história tão rica é também uma oportunidade de encontro e de troca. E a palhaçaria chega para somar, para criar conexões e, principalmente, para celebrar aquilo que a cultura tem de mais potente: a capacidade de aproximar as pessoas, preservar memórias, provocar novos olhares e transformar a maneira como percebemos o mundo”, destaca.

As intervenções serão conduzidas pelos artistas Rafael Protzner, que interpreta o Dr. Alfinete, e Francis Severino, no papel do Dr. Risoto de Carne Moída. Os dois se apresentam como médicos especialistas em “besteirologia” e prometem levar alegria e esperança ao público atendido.

A programação começa no dia 19 de outubro, às 14h, na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), que também receberá os artistas no dia 21, às 8h. No Hospital Santa Casa de Misericórdia, as intervenções estão previstas para os dias 20 e 22 de outubro, às 10h. Já a Escola Municipal Alcides Carvalho receberá a iniciativa nos dias 21 e 23, às 13h30. Nos mesmos dias, às 15h30, as atividades serão realizadas nas Instituições de Longa Permanência Lar São Vicente de Paulo e Lar das Velhinhas.

De acordo com Eliseu Custódio, artista, cofundador e gestor do Instituto Hahaha, cerca de 600 pessoas serão atendidas em Montes Claros, entre crianças, jovens, adultos e idosos. A proposta é utilizar o riso como instrumento de aproximação e promover experiências artísticas em ambientes de saúde, educação e acolhimento.

O trabalho é desenvolvido por meio da palhaçaria e da técnica do improviso, sem roteiro ou falas previamente definidas. As intervenções são construídas a partir das situações que surgem durante os encontros e da relação estabelecida entre os artistas e o público.

“A matéria-prima da ação artística é a própria condição humana, que se revela no momento do encontro e na relação de permissão e confiança entre artista e público. É nesse espaço de troca e escuta que se torna possível criar uma dramaturgia em tempo real”, explica Eliseu.

Segundo ele, os artistas utilizam a palhaçaria para dialogar com situações da realidade, questões sociais e emoções que aparecem durante as interações. O improviso permite que cada apresentação seja construída a partir das experiências e relações estabelecidas no momento.

Fundado em 2012 por Elen Couto, Eliseu Custódio e Gyuliana Duarte, o Instituto Hahaha é uma organização da sociedade civil que promove a arte da palhaçaria em espaços de saúde e acolhimento. Desde sua criação, a instituição já alcançou mais de um milhão de pessoas, entre crianças, adolescentes, idosos, profissionais de saúde, integrantes das equipes técnicas, acompanhantes, pais e familiares de pacientes.

Ao longo de sua trajetória, o grupo acumulou experiências marcantes. Gyuliana relembra uma intervenção realizada na UTI pediátrica da Santa Casa de Belo Horizonte, quando os artistas visitaram duas irmãs siamesas que se preparavam para uma cirurgia de separação. No primeiro contato, uma das crianças demonstrou vontade de brincar com os palhaços, enquanto a outra chorava de medo. A situação exigiu sensibilidade e improvisação para conduzir a interação respeitando as reações das duas irmãs.

O projeto Manutenção Instituto Hahaha é realizado desde 2025 e promove intervenções artísticas em hospitais, instituições de ensino e espaços de acolhimento de Minas Gerais. A iniciativa busca ampliar o acesso à arte e à cultura, além de contribuir para a humanização do atendimento de pacientes e de outras pessoas em situação de vulnerabilidade.

A programação contempla cidades mineiras em diferentes etapas. Em 2026, as ações estão previstas para Belo Horizonte, Governador Valadares, Ipatinga, Jeceaba, Entre Rios de Minas e Montes Claros. Em 2027, o projeto deverá chegar a Passos e Lavras. Segundo as informações divulgadas pela organização, a iniciativa prevê alcançar mais de 12 mil pessoas.

Com a primeira visita a Montes Claros, o Instituto Hahaha leva a arte da palhaçaria a diferentes públicos e reforça a proposta de garantir que a cultura esteja presente também nos espaços de cuidado, educação e acolhimento.

Fotos: Rodrigo Zeferino

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Américo Borges

Américo Borges é jornalista formado pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (FUNORTE). Com ampla experiência em comunicação, já atuou em portais de notícias, rádio e também como assessor de imprensa em órgãos públicos. Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a informação de qualidade e a valorização do jornalismo regional.