Golpes no marketing de influência crescem no ano passado e acendem alerta no setor

Influenciadora digital grava conteúdo publicitário para redes sociais, prática cada vez mais comum no mercado de marketing de influência, setor que tem registrado aumento de golpes envolvendo falsas agências e falta de pagamento a criadores de conteúdo. (Foto: Imagem ilustrativa / Divulgação)

Os golpes contra profissionais que atuam no mercado do marketing de influência aumentaram de forma significativa em 2025, gerando prejuízos financeiros e insegurança para criadores de conteúdo em todo o país. As fraudes, em geral, envolvem falsas agências intermediárias que entram em contato com influenciadores propondo acordos comerciais por determinado período, mas que não realizam o pagamento após a execução dos trabalhos publicitários.

As propostas costumam incluir ações como publiposts, unboxing, vídeos demonstrativos de produtos e campanhas de engajamento nas redes sociais. Após a entrega do conteúdo acordado, no entanto, os valores prometidos não são repassados, causando perdas financeiras e consequências severas para os profissionais envolvidos.

Recentemente, os influenciadores Gustavo Catunda, Larissa Teófilo, Robert Rosselló e Cesinha Fernandes, conhecidos pela criação de conteúdo autoral, utilizaram seus perfis no Instagram para denunciar a agência Hello Group, alegando ausência de pagamento pelos trabalhos publicitários realizados. De acordo com informações divulgadas, os prejuízos podem chegar a cerca de R$ 500 mil.

Diante desse cenário, a advogada Luana Mendes Fonseca de Faria, especialista na defesa de profissionais que atuam com criação de conteúdo e marketing de influência, reforça a importância do suporte jurídico especializado. Segundo ela, questões relacionadas ao direito de imagem, valores, pagamentos e conformidade com as normas do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) exigem atenção redobrada.

“Minha recomendação é que os influenciadores sempre pesquisem o histórico da agência antes de assinar um contrato. Sempre que possível, exijam cláusulas de prestação de contas detalhadas, com relatórios de pagamentos das marcas e direito de auditoria independente”, orienta a advogada. Ela também destaca a necessidade de prazos contratuais rígidos para pagamento, com previsão de multa em caso de atraso e possibilidade de rescisão automática por inadimplência. “Os contratos com as marcas devem ocorrer com transparência, evitando abusos e ocultação de valores”, completa.

Luana Mendes ressalta que a maioria das agências que atuam de forma regular mantém contato por canais oficiais e cumpre os acordos comerciais e trabalhistas. No entanto, casos de fraude acabam impactando negativamente a confiança no mercado, levando muitas marcas a optarem por negociações diretas com influenciadores ou por agências certificadas.

“Com a nova legislação regulamentando o setor, os criadores ganham mais credibilidade para fechar contratos melhores, abrindo espaço para compliance e crescimento sustentável”, afirma.

Outro ponto de alerta é a proteção de dados pessoais. A advogada recomenda que influenciadores nunca forneçam informações sensíveis solicitadas por formulários ou em ações suspeitas, especialmente aquelas que violem a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Por fim, Luana Mendes chama atenção para as condições contratuais oferecidas. “As principais demandas judiciais no mercado de influenciadores digitais envolvem o não pagamento de cachês publicitários, cláusulas abusivas de exclusividade e cessão ilimitada de imagem”, explica. Segundo ela, também são comuns questionamentos sobre prazos de pagamento, reconhecimento de vínculo empregatício, verbas trabalhistas, além de ações por danos morais decorrentes de prejuízos à reputação e responsabilização por conteúdos enganosos impostos pelas marcas sem um briefing ético claro.

O crescimento dos golpes reforça a necessidade de informação, cautela e assessoria jurídica especializada para garantir segurança e profissionalização no mercado do marketing de influência.

Américo Borges

Américo Borges é jornalista formado pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (FUNORTE). Com ampla experiência em comunicação, já atuou em portais de notícias, rádio e também como assessor de imprensa em órgãos públicos. Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a informação de qualidade e a valorização do jornalismo regional.

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