Um estudo desenvolvido na Universidade Estadual de Montes Claros aponta que o salário mínimo ideal para garantir o sustento de uma família de quatro pessoas em Montes Claros deveria ser de R$ 8.224,46 em março de 2026. O valor corresponde a 5,07 vezes o salário mínimo nacional vigente, fixado em R$ 1.621.
O levantamento foi elaborado por Evelin de Souza Rocha, acadêmica do 7º período do curso de Ciências Econômicas da instituição. Para chegar ao resultado, a pesquisadora considerou o padrão de referência utilizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos e multiplicou por quatro o custo da cesta básica em Montes Claros, que alcançou R$ 2.423,76 no período.
Segundo o estudo, uma família montes-clarense que depende de apenas um salário mínimo não consegue custear nem mesmo a alimentação básica. O valor da cesta representou 149,5% do piso nacional em março deste ano.
“O que sobra para moradia, transporte, saúde, educação e vestuário é zero”, destaca a estudante no levantamento.
O estudo também aponta que o custo da cesta básica em Montes Claros subiu 7,41% entre dezembro de 2025 e março de 2026, percentual acima do reajuste anual do salário mínimo, que foi de 6,79%. Conforme a análise, o aumento no preço dos alimentos reduziu parte do ganho real obtido com o reajuste salarial deste ano.
O salário mínimo nacional de 2026 foi fixado em R$ 1.621 pelo Decreto nº 12.797/2025, em vigor desde janeiro. O reajuste considerou a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 2025, além de ganho real limitado pelo novo arcabouço fiscal.
A acadêmica destaca ainda que cerca de 35% da força de trabalho brasileira recebe um salário mínimo. Segundo ela, aproximadamente 61,9 milhões de brasileiros, entre trabalhadores, aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais, têm renda vinculada ao piso nacional.
De acordo com o levantamento, quase 70% dos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social correspondem ao salário mínimo. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística também indicam que a renda média da população é igual ou superior ao piso nacional em 81% dos municípios brasileiros.
O estudo ainda ressalta o impacto do salário mínimo nas contas públicas. Conforme estimativas citadas pela pesquisadora, cada R$ 1 de aumento no piso nacional gera cerca de R$ 420 milhões em despesas para a União, devido aos reflexos em aposentadorias, pensões, seguro-desemprego, abono salarial e Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Por outro lado, a análise aponta que o reajuste também impulsiona a economia, com estimativa de injeção de R$ 81,7 bilhões no mercado e impacto total de aproximadamente R$ 110 bilhões quando considerada a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.