O Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo, com cerca de 9% da população convivendo com a ansiedade. A informação foi destacada pela neuropsicóloga Aldelucia Castro, que explicou as diferenças entre a ansiedade considerada normal e os casos em que o sentimento se transforma em um transtorno capaz de comprometer a rotina, os relacionamentos e a saúde.
Segundo a especialista, a ansiedade faz parte das emoções humanas e costuma surgir diante de situações novas ou importantes, como uma viagem, uma entrevista de emprego, um exame médico ou uma apresentação de trabalho. Nesses casos, sintomas como preocupação, tensão, suor excessivo, taquicardia e alterações no sono podem aparecer, mas tendem a desaparecer após o evento.
Aldelucia explica que o transtorno de ansiedade se diferencia pela intensidade, frequência e duração dos sintomas. Ao contrário da ansiedade comum, que tem início e fim definidos, o transtorno mantém a pessoa em estado constante de alerta e preocupação, dificultando o retorno ao relaxamento. Em quadros como o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), o indivíduo costuma antecipar problemas e imaginar cenários negativos para situações cotidianas.
“O problema não é a ansiedade em si, porque ela é o que nos move. A questão está na intensidade, na frequência e na proporção que ela assume na vida da pessoa”, afirma a neuropsicóloga.
Quando o quadro se agrava, podem surgir ataques de pânico, considerados o ápice da ansiedade. Entre os sintomas mais comuns estão falta de ar, tremores, aperto no peito, suor excessivo, boca seca, sensação de sufocamento e medo intenso. Muitas pessoas chegam a acreditar que estão sofrendo um infarto ou outro problema grave de saúde.
Além dos sintomas físicos, o transtorno pode provocar um estado permanente de preocupação e estresse. De acordo com a especialista, algumas pessoas ficam paralisadas diante das situações do dia a dia, enquanto outras permanecem em constante estado de prontidão, como se algo ruim estivesse prestes a acontecer.
Os impactos também atingem a vida social e profissional. Pessoas com ansiedade patológica podem evitar apresentações, reuniões, conversas e até relacionamentos por medo de errar ou de serem julgadas. Em crianças, sinais como ansiedade de separação e mutismo seletivo — quando a criança fala apenas com determinadas pessoas — também podem indicar a presença do transtorno.
A neuropsicóloga destaca que um dos principais sinais de alerta é o comportamento evitativo. Quando a ansiedade leva a pessoa a desistir de compromissos, evitar situações comuns ou deixar de realizar atividades importantes, é recomendável buscar ajuda profissional.
Para controlar os sintomas e prevenir o agravamento do quadro, Aldelucia recomenda a prática regular de atividades físicas, cuidados com a qualidade do sono, alimentação equilibrada e momentos de lazer e relaxamento. Caminhadas, conversas com amigos, música e exercícios físicos podem ajudar a regular as respostas do organismo ao estresse.
“Sentir ansiedade é normal. O importante é conseguir enfrentar as situações mesmo sentindo medo ou preocupação. Quando isso deixa de ser possível e passa a limitar a vida da pessoa, é hora de procurar ajuda profissional”, conclui a especialista.