Morador de Unaí é o 102º paciente no Brasil a receber polilaminina para lesão medular

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Um morador de Unaí, no Noroeste de Minas Gerais, recebeu uma aplicação de polilaminina, substância experimental estudada como alternativa para o tratamento de lesões medulares. O procedimento foi realizado no Hospital Santa Helena e marcou o 102º caso de uso da proteína no país.

O paciente, Edson Júniro, de 43 anos, sofreu uma fratura na oitava vértebra da coluna após um acidente no dia 4 de junho deste junho, na br-251, que resultou em paraplegia. Agora, ele passará por acompanhamento médico para que os pesquisadores avaliem se haverá recuperação da função motora e da sensibilidade ao longo dos próximos meses.

A polilaminina é uma proteína derivada da placenta desenvolvida com o objetivo de estimular a regeneração de nervos lesionados. A substância ganhou visibilidade após apresentar resultados considerados promissores em estudos experimentais e passou a ser desenvolvida pela farmacêutica Cristália, que adquiriu a patente da tecnologia e investiu mais de R$110 milhões no projeto.

O pesquisador Arthur Luiz Freitas Forte, integrante da equipe coordenada por Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), informou que a aplicação foi realizada com segurança e explicou que o paciente será monitorado para verificar a resposta ao tratamento. Segundo ele, por se tratar de um estudo em andamento, cada caso é acompanhado individualmente para avaliar o potencial de recuperação.

A esposa do paciente, Michele Gross, relatou que a família já conhecia o tratamento e tinha conhecimento de que o ideal seria realizar a aplicação nas primeiras 72 horas após o acidente. No entanto, como o paciente precisou passar por uma cirurgia para tratar a lesão na coluna, esse procedimento teve prioridade.

Após a cirurgia, a família iniciou o processo para obter autorização para o uso compassivo da polilaminina, modalidade prevista na legislação brasileira para permitir o acesso a tratamentos experimentais em casos de doenças graves sem alternativas terapêuticas disponíveis.

Para isso, foram encaminhados relatórios médicos à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), à UFRJ e à Cristália. Além disso, a família precisou recorrer à Justiça para viabilizar o acesso à substância.

De acordo com Arthur Luiz Freitas Forte, a expectativa é que eventuais ganhos de sensibilidade e movimentação ocorram de forma gradual, caso o organismo responda ao tratamento. Ele ressaltou que a evolução varia entre os pacientes e que os resultados ainda estão sendo avaliados pelos pesquisadores.

O especialista afirmou ainda que os dados observados até o momento são considerados positivos e indicam que cerca de 75% dos pacientes que receberam a polilaminina apresentaram recuperação parcial do quadro de paralisia. Segundo ele, novos resultados deverão ser divulgados à medida que o estudo avançar.

 

Eduarda Maciel

Eduarda Maciel é jornalista formada em 2025 pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Possui experiência nas áreas de jornalismo cultural, esportivo e produção de conteúdo para mídias sociais. Sua atuação é marcada pelo compromisso com a informação de qualidade e pela criação de conteúdos para diferentes públicos e plataformas digitais.

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