AMAMS e Governo de Minas alinham estratégias para agilizar ajuda emergencial a cidades atingidas pela estiagem

Presidente da entidade, Ronaldo Mota, levou ao Governo do Estado a preocupação dos prefeitos com a irregularidade das chuvas e reforçou a necessidade de ações antecipadas

Foto: Ascom / AMAMS

A Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (AMAMS) participou, nesta quarta-feira (2), em Montes Claros, de uma coletiva de imprensa promovida pelo Governo de Minas para apresentar medidas de enfrentamento aos efeitos da estiagem e da seca no Estado. Representando a entidade, o presidente da AMAMS e prefeito de São João da Lagoa, Ronaldo Mota, o Ronaldinho, reforçou junto ao Governo de Minas as preocupações dos prefeitos diante do cenário climático previsto para os próximos meses.

Durante a agenda, o governador Matheus Simões apresentou o decreto que cria o Comitê El Niño, estrutura que reunirá diferentes órgãos do Estado para acompanhar os impactos dos fenômenos climáticos e coordenar ações de prevenção e resposta.

A participação da AMAMS ganhou destaque na discussão. Segundo o governador, foi a partir de uma provocação apresentada pelo presidente da entidade, em nome dos prefeitos, que o Estado intensificou a atenção para a situação da região Norte de Minas.

“Houve uma provocação muito bem feita pelo presidente da AMAMS Ronaldinho, representando os prefeitos, sobre a preocupação que já estava se instalando por conta de chuvas já irregulares ao longo desse ano”, afirmou Matheus Simões.

Foto: Américo Borges / Gerais News

De acordo com o governador, a previsão para os últimos três meses do ano é considerada preocupante para o Norte de Minas. A estimativa apresentada durante a coletiva é de redução de aproximadamente 50 a 100 milímetros no volume de chuvas esperado para a região, o que pode agravar os impactos na agricultura, aumentar o risco de queimadas e provocar dificuldades no abastecimento de água para consumo humano e para a criação de animais.

AMAMS reforça demandas dos municípios

Para Ronaldo Mota, a criação do comitê e as medidas anunciadas pelo Estado representam um importante mecanismo de apoio às administrações municipais que já enfrentam dificuldades provocadas pela estiagem.

Segundo o presidente da AMAMS, os recursos e ações anunciados pelo Governo de Minas poderão atender municípios que já possuem decretos de emergência ou calamidade pública, assim como aqueles que venham a formalizar a situação.

Ronaldo destacou que os municípios precisam realizar os procedimentos necessários para que possam ter acesso às ações estaduais, incluindo o abastecimento emergencial por caminhões-pipa.

“A partir daí o Governo do Estado está reconhecendo isso para que os recursos possam chegar de fato e executar operação-pipa, entre outros”, explicou o presidente da AMAMS.

A entidade também deverá atuar no suporte às administrações municipais por meio do seu Departamento de Defesa Civil, auxiliando os gestores na organização das medidas necessárias para o enfrentamento da estiagem.

Estado disponibiliza 94 milhões de litros de água

Entre as medidas anunciadas pelo Governo de Minas está a disponibilização imediata de 94 milhões de litros de água, volume que, segundo o governador, seria suficiente para atender aproximadamente 215 mil pessoas por meio de caminhões-pipa.

Ao todo, 80 caminhões-pipa serão disponibilizados inicialmente para a operação emergencial. Segundo Matheus Simões, dez municípios já estão na fila para atendimento, enquanto a Defesa Civil acompanha a situação das demais cidades consideradas em situação de maior risco climático.

O governador explicou que a distribuição dependerá da situação de emergência ou calamidade reconhecida e de um plano de atuação elaborado pelos municípios. Em algumas localidades, os caminhões poderão abastecer reservatórios centrais. Em comunidades mais afastadas, poderá ser necessário realizar a distribuição diretamente às residências.

Comitê terá atuação além do abastecimento de água

Durante a coletiva, Matheus Simões ressaltou que o Comitê El Niño terá uma atuação integrada e não ficará restrito às ações relacionadas ao abastecimento de água.

A estrutura deverá envolver áreas como agricultura, assistência técnica, educação e saúde. Entre as possibilidades estão a distribuição de sementes e o apoio técnico aos produtores rurais, além de medidas relacionadas ao funcionamento das escolas e ao atendimento de eventuais problemas de saúde decorrentes de períodos prolongados de estiagem.

A proposta é permitir que o Estado antecipe ações diante das previsões climáticas, em vez de atuar somente depois que os problemas estejam instalados.

“Como já temos a informação técnica de que chegará o problema, temos condições de nos antecipar”, afirmou o governador.

Municípios já sentem os efeitos da falta de chuva

A preocupação apresentada pela AMAMS também é compartilhada pelos prefeitos da região. Durante a coletiva, a prefeita de Ibiaí, Maurina Fonseca, relatou as dificuldades enfrentadas pelo município para garantir o abastecimento da população.

Segundo ela, mesmo estando às margens do Rio São Francisco, comunidades afastadas do curso do rio enfrentam problemas para ter acesso à água, inclusive para consumo humano.

A prefeita afirmou que parte da população já depende do abastecimento por caminhões-pipa e que a estrutura municipal não consegue atender todas as comunidades de forma satisfatória.

“Essas ações que o Governo do Estado apresenta e oferta aos municípios são muito importantes”, destacou Maurina.

Articulação municipalista

A presença da AMAMS na agenda reforça o papel da entidade na articulação das demandas dos municípios da área mineira da Sudene junto ao Governo de Minas.

Para a associação, o cenário exige uma atuação conjunta entre Estado, municípios e órgãos de defesa civil, especialmente diante da possibilidade de agravamento da estiagem nos próximos meses.

Além de representar os interesses dos prefeitos, a AMAMS pretende auxiliar as administrações municipais na adoção das medidas necessárias para acessar os recursos e serviços disponibilizados pelo Estado.

O decreto e as ações anunciadas em Montes Claros representam, nesse contexto, uma resposta antecipada ao cenário climático previsto para o Norte de Minas. Para os municípios, a expectativa é de que a articulação entre as entidades municipalistas e o Governo de Minas permita reduzir os impactos da seca sobre a população, a produção rural e o abastecimento de água.

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Américo Borges

Américo Borges é jornalista formado pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (FUNORTE). Com ampla experiência em comunicação, já atuou em portais de notícias, rádio e também como assessor de imprensa em órgãos públicos. Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a informação de qualidade e a valorização do jornalismo regional.