Um servidor público de Montes Claros foi preso após usar o uniforme de um órgão de fiscalização municipal para ter acesso à casa da ex-mulher. Segundo a Polícia Civil, além de descumprir medidas protetivas já determinadas pela Justiça, ele teria ameaçado matar a vítima.
De acordo com a delegada Karine Maria, responsável pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), a mulher estava no trabalho quando recebeu a informação, por meio de um familiar, de que o ex-marido havia descoberto seu novo endereço.
As investigações apontam que o homem passou a segui-la e, em seguida, voltou à residência dela, utilizando a farda como forma de se passar por fiscal e convencer o proprietário do imóvel a permitir sua entrada. No momento da prisão, ele ainda vestia o uniforme do serviço.
A Prefeitura de Montes Claros declarou que não foi oficialmente notificada sobre o caso, mas garantiu que, assim que tiver acesso aos detalhes, irá apurar possíveis responsabilidades administrativas, caso se confirme que se trata de um servidor em atividade.
Histórico de violência
O casal esteve junto por mais de duas décadas. Após a separação, a mulher decidiu sair da casa onde viviam em busca de segurança, mas o homem não aceitou o término. Segundo a Polícia Civil, ele chegou a afirmar para a filha que pretendia matar a ex-companheira, declaração que reforça o risco à vida da vítima.
“Ele usou a função que desempenha no município como forma de facilitar o acesso à residência, o que demonstra sua periculosidade. O objetivo era surpreendê-la para concretizar a ameaça de morte”, afirmou a delegada.
Ainda segundo Karine Maria, a vítima relatou ter vivido um relacionamento marcado por diferentes formas de violência psicológica, moral e patrimonial, mesmo sem episódios de agressões físicas.
Medidas legais
Com a prisão, além das acusações já em andamento, o investigado responderá também por descumprimento de medida protetiva. A Polícia Civil informou que, nesses casos, quando há flagrante, a prisão pode ser decretada de imediato, evitando que situações mais graves, como o feminicídio, ocorram.
“É fundamental que as mulheres denunciem qualquer descumprimento de medida protetiva, pois isso possibilita a prisão do agressor e reduz os riscos de violência letal”, destacou a delegada.