Evento em Montes Claros marca Dia Mundial de Conscientização do Autismo com foco em inclusão e avanços

O objetivo do encontro é ampliar a conscientização, discutir os desafios da inclusão e compartilhar os avanços mais recentes no campo do autismo - Foto: Divulgação

Em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, a cidade de Montes Claros será palco de um evento de grande relevância: o Seminário Autismo e Neurodiversidade, que acontecerá no dia 05 de abril, no espaço OAB Eventos. A expectativa é reunir cerca de 600 pessoas, entre especialistas da saúde e da educação, acadêmicos, familiares e pessoas neurodivergentes. O objetivo do encontro é ampliar a conscientização, discutir os desafios da inclusão e compartilhar os avanços mais recentes no campo do autismo.

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O evento é organizado pela fisioterapeuta infantojuvenil Carline Nogueira, CEO da clínica FitPark – Clínica de Desenvolvimento, pelo neuropediatra Dr. Luís Henrique e pela equipe da Clínica Desenvolva-se. Com uma programação repleta de palestras e rodas de conversa, o seminário busca não apenas informar, mas também provocar reflexões profundas sobre o papel da sociedade na inclusão de pessoas autistas.

Cadu, filho da Doutora Carline, Autista, de 17 anos – Foto: Divulgação

Em entrevista ao Portal Gerais News, a Dra. Carline Nogueira, que além de especialista em autismo é mãe de Cadu, um menino autista, destacou a importância de eventos como este: “O Dia Mundial de Conscientização do Autismo é fundamental para aumentar a visibilidade, combater preconceitos e garantir a inclusão das pessoas autistas e suas famílias na sociedade. Essa data reforça a importância da empatia, da informação e da promoção de políticas públicas inclusivas”, afirmou.

Carline explicou que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits na comunicação social, comportamentos repetitivos, interesses restritos e padrões estereotipados. Segundo ela, há sinais que pais e cuidadores devem observar ainda na primeira infância, como: Dificuldade de contato visual, Problemas de fala e comunicação, Brincadeiras não usuais, Falta de resposta ao nome, Uso incomum da linguagem (como ecolalia), Pouco interesse em interações sociais, Movimentos repetitivos e fixações por temas específicos eReações incomuns a estímulos sensoriais.

“O diagnóstico precoce é a porta de entrada para a intervenção precoce, que pode fazer toda a diferença no desenvolvimento e autonomia da pessoa autista. Quanto mais cedo iniciarmos as terapias, maiores as chances de progresso nas áreas motoras, cognitivas e comunicacionais”, destacou Carline.

A especialista também falou sobre os mitos ainda presentes na sociedade, que dificultam a aceitação e o acolhimento. Entre eles, a ideia de que pessoas autistas vivem em um “mundo à parte”, que são todas gênios, que o autismo é causado por vacinas ou uso de telas, ou que o autismo tem cura. “É importante reforçar: o autismo não é uma doença. É uma forma diferente de o cérebro funcionar. Precisamos urgentemente mudar esse olhar e promover a neurodiversidade como algo natural e parte da nossa sociedade”, completou.

Sobre os avanços recentes da medicina no tratamento do autismo, Carline destacou que os estudos vêm evoluindo, principalmente no uso de biomarcadores para diagnóstico precoce, Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) para não falantes, além de pesquisas em genética, microbioma e neuromodulação.

Por fim, a Dra. Carline ressaltou o papel essencial de políticas públicas voltadas à inclusão: “A data nos lembra da urgência em cobrar mais investimentos em diagnóstico e terapias acessíveis, leis de inclusão nas escolas e no mercado de trabalho, atendimento especializado e ações efetivas dos gestores públicos para garantir os direitos das pessoas autistas”.

O Seminário Autismo e Neurodiversidade promete ser uma oportunidade valiosa de troca, aprendizado e engajamento social. Em tempos onde a empatia se faz cada vez mais necessária, o evento lança luz sobre um tema que precisa estar no centro das discussões públicas: o respeito à diversidade humana.

Américo Borges

Américo Borges é jornalista formado pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (FUNORTE). Com ampla experiência em comunicação, já atuou em portais de notícias, rádio e também como assessor de imprensa em órgãos públicos. Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a informação de qualidade e a valorização do jornalismo regional.

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