Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual de Montes Claros resultou na criação de um dispositivo voltado para pessoas diagnosticadas com Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), doença genética que provoca perda progressiva da força muscular. A inovação recebeu patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e agora poderá avançar para futuras parcerias de produção e comercialização.
O equipamento foi projetado para ser acoplado à cadeira de rodas e auxiliar pacientes na realização de movimentos simples dos braços e das mãos, contribuindo para mais independência nas tarefas do dia a dia. A tecnologia utiliza motores controlados por sistema eletrônico e joystick, permitindo ao usuário executar ações que se tornam limitadas com o avanço da doença.
A criação surgiu a partir de estudos realizados no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da universidade. A pesquisadora Laura Adriana Ribeiro Lopes liderou o desenvolvimento do projeto durante o mestrado, com orientação da professora Elytânia Veiga Menezes e apoio de uma equipe multidisciplinar formada por especialistas de diferentes áreas.
Segundo os pesquisadores envolvidos, a proposta foi pensada para unir funcionalidade, acessibilidade e baixo custo, tornando o recurso mais viável para famílias e instituições de saúde. Entre as atividades que poderão ser facilitadas pelo adaptador estão o uso de celulares, computadores, controles de videogame e até ações simples, como segurar objetos e beber água.
A patente concedida pelo INPI foi publicada neste mês e garante à universidade o direito de exploração da tecnologia por 20 anos. Com isso, a instituição passa a buscar empresas ou órgãos interessados em transformar o invento em um produto disponível para a população.
Para a equipe da universidade, o reconhecimento representa um avanço importante para a pesquisa científica regional e reforça o potencial da produção acadêmica voltada para soluções práticas na área da saúde e inclusão social.
A Distrofia Muscular de Duchenne é considerada uma doença rara e afeta principalmente crianças do sexo masculino. A condição é causada pela ausência de uma proteína essencial para a proteção dos músculos, provocando perda gradual dos movimentos e comprometimento da autonomia ao longo dos anos.