A população de Ubaí enfrenta mais um episódio de frustração envolvendo investimentos públicos. Desta vez, o alvo da indignação é a Praça República dos Paraguaios, conhecida como Praça do Coreto, um dos espaços mais tradicionais e simbólicos do município. Antes das eleições, máquinas chegaram ao local e as obras foram iniciadas, criando a expectativa de uma reforma aguardada há anos. No entanto, naquele momento, o recurso destinado à obra ainda não havia sequer sido depositado na conta da prefeitura.
Segundo documentos oficiais, a obra foi iniciada sem qualquer previsão financeira concreta, prática que levantou suspeitas entre moradores e especialistas. Logo após as eleições, o cenário mudou: o canteiro foi abandonado, equipamentos desapareceram e a praça permaneceu em total estado de descaso.
Mas a situação se agravou quando os recursos da emenda parlamentar — R$ 350 mil — foram finalmente creditados em dezembro de 2024, já após o período eleitoral. O valor deveria ser destinado exclusivamente à reforma da Praça do Coreto. Assim que o dinheiro entrou nos cofres municipais, ocorreu a primeira manobra: todo o montante foi transferido para outra conta, vinculada ao ICMS, sem justificativa aparente.
Em janeiro de 2025, houve nova movimentação financeira. Os mesmos R$ 350 mil foram devolvidos para a conta da emenda, mas logo em seguida R$ 310 mil foram retirados, restando apenas R$ 40 mil na conta. A diferença permanece inexplicada, conforme aponta relatório do Tribunal de Contas.
Em abril de 2025, mais uma operação chamou atenção. Foram transferidos R$ 130 mil da conta do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para recompor parte dos valores da emenda. O FPM é destinado a cobrir despesas essenciais, como pagamento de servidores e manutenção dos serviços públicos — ou seja, verba que deveria cumprir funções básicas da administração municipal acabou sendo usada para cobrir um rombo criado em outra conta.
No mês seguinte, em maio de 2025, houve o pagamento de R$ 150.228,00 a uma empresa contratada, sem que houvesse avanço real na obra. A praça segue no mesmo estado: parada, abandonada e sem qualquer previsão de conclusão.
O relatório do Tribunal de Contas descreve o caso como uma sequência de “movimentações suspeitas”, caracterizadas pelo vai e vem de valores entre contas distintas, dificultando o rastreamento do uso do dinheiro público.
Diante do cenário, cresce a pressão popular por respostas. Moradores exigem transparência e esclarecimentos sobre o paradeiro dos recursos. A principal pergunta permanece sem resposta: onde está o dinheiro da Praça do Coreto?
Enquanto a obra não avança e o cartão-postal de Ubaí segue esquecido, a comunidade cobra responsabilidade e explicações sobre o que considera um caso grave de má gestão — e possivelmente de corrupção.