Localizada no norte de Minas Gerais, a cidade de Cristália tem uma história marcada pela mineração e pela transformação econômica ao longo dos séculos. Sua origem está ligada diretamente à expansão de povoados garimpeiros na região, especialmente à formação da vizinha Grão Mogol, que surgiu ainda no século XVIII.
Naquela época, a busca por riquezas minerais impulsionou a ocupação do território. O povoado que deu origem a Cristália, conhecido inicialmente como Extrema, começou a se desenvolver com a descoberta de diamantes na Serra do Bateeiro. A notícia das jazidas atraiu garimpeiros e famílias, como os Arrudas e os Borges, que se destacaram entre os primeiros moradores da região.
Com o aumento da atividade mineradora, pequenas construções começaram a surgir ao pé da serra, formando um núcleo populacional que cresceu rapidamente. No entanto, esse desenvolvimento não se sustentou por muito tempo. Com o esgotamento das reservas de diamantes, a população diminuiu e parte do povoado foi abandonada, refletindo a dependência econômica da mineração naquele período.
Registros históricos mostram que, no início do século XIX, Extrema chegou a ter centenas de habitantes, entre pessoas livres e escravizadas, além de dezenas de moradias. Porém, poucos anos depois, houve uma redução significativa da população, evidenciando a instabilidade da economia local.
A formalização administrativa veio mais tarde. No final do século XIX, Extrema foi reconhecida como distrito pertencente a Grão Mogol. Já no século XX, em 1923, o local passou a se chamar oficialmente Cristália. A emancipação política ocorreu apenas em 1962, quando o município foi desmembrado de Grão Mogol, consolidando sua autonomia.
Ao longo das décadas seguintes, Cristália enfrentou desafios econômicos, sendo considerada uma das regiões com menor renda per capita do país na década de 1970. Ainda assim, o município encontrou na agropecuária uma base sólida para sua economia.
Atualmente, a produção rural é o principal sustento da população, com destaque para o cultivo de milho, feijão, mandioca, café e arroz, além da criação de gado e aves. Mesmo com estrutura urbana simples, a cidade mantém comércio ativo e serviços essenciais, preservando seu papel como importante centro local.
Atualmente, a cidade conta com pouco mais de cinco mil habitantes.